O Senhor dos Exércitos está conosco.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Igreja Perseguida Missão Portas Abertas

Os 10 mais de Classificação de países por perseguição

Janela 10/40

Deus lançaria um servo a quem ama no inferno?

O Juízo de Deus começa pela Sua Casa

Lendo um artigo interessante sobre a Salvação outorgada a nós pelo Senhor, fico pensativa quanto a alguns argumentos que gritam em nosso meio, em nossos púlpitos, em nossas reuniões de estudo e que geram no coração de muitos uma falsa segurança de salvação, baseada num amor e misericórdia divinos que jamais nos constrangeria ao inferno.

Creio plenamente que o Senhor é poderoso para aperfeiçoar esta obra até aquele grande dia. Sei que dependemos totalmente de Sua graça e amor, e que sua vontade não é a perdição eterna. Mas encontro em Jo 15.4, assim como em diversas outras passagens, que: Quando uma pessoa crê em Cristo e recebe o seu perdão, recebe a vida eterna e o poder de estar ou permanecer nEle.

Tendo esse poder, o crente precisa aceitar a responsabilidade quanto à salvação e permanecer em Cristo. Assim como a vara só tem vida enquanto a vida da videira flui na vara, o crente tem a vida de Cristo somente enquanto esta vida flui nele pela sua permanência em Cristo.
  
Este assunto é de vital importância, pois iludimos a nós mesmos se acreditamos que podemos viver uma vida de pecado e mundanismo, uma vida de egoísmos e insubordinação, regendo nossas vidas e abrindo nossos ouvidos apenas para o que é agradável a nós, conforme as concupiscências do nosso enganoso coração, e ainda assim, mantermos comunhão com Deus e termos a graça de poder encontrar com Ele sem ter do que nos envergonhar. Somos os mais indignos dos homens se agirmos com tanta indeferença à Santidade de Deus.

A alegoria da videira e das varas deixa plenamente claro que Cristo não admitia que "uma vez na videira, sempre na videira". Pelo contrário, Jesus nesta alegoria faz aos seus discípulos uma advertência séria, porém amorosa, mostrando que é possível um verdadeiro crente abandonar a fé, deixar Jesus, não permanecer mais nele e por fim ser lançado no fogo eterno do inferno (v.6).

Temos aqui o princípio fundamental que rege o relacionamento salvífico entre Cristo e o crente, a saber: que nunca é um relacionamento estático, baseado exclusivamente numa decisão ou experiência passada. Trata-se, pelo contrário, de um relacionamento progressivo, à medida que Cristo habita no crente e comunica-lhes sua vida divina (Cl 3.4; I Jo 5.11-13).

Aqui, Jesus nos ensinou três verdades de vital importância: a) A responsabilidade de permanecer em Cristo recai sobre o discípulo. É esta a nossa maneira de corresponder ao dom da vida e ao poder divinos concedidos na regeneração; b) Permanecer em Cristo resulta em Jesus continuar a habitar em nós pelo Espírito Santo que nos foi dado. Pois até o mesmo Espírito pode ser entristecido e extinguido de nós, como diz as Escrituras, "não extingais o Espírito" (I Ts 5.19). Se Ele pode ser extinguido, podemos perder esta abundante graça que nos conduz ao Céu. Jesus permanece em nós através da obra do Espírito Santo, se Este mesmo Espírito deixou de habitar em nós, logo, também não permanecemos nesta comunhão. Permanecer em Cristo resulta em Jesus continuar a Habitar em nós; frutificação do discípulo; sucesso na oração e plenitude da alegria. c) As consequências do crente deixar de permanecer em Cristo são a ausência de fruto (vv.2,6), a separação de Cristo e a perdição eterna, onde haverá choro e ranger de dentes.

Sede Santos como Eu sou Santo...
Sem Santidade ninguém verá a Deus!


Somente aqueles que perseverarem até o fim, aqueles que vencerem comerão da árvore da Vida, que está no meio do paraíso de Deus (Ap 2.7); só os que vencerem, não receberão o dano da segunda morte (Ap 2.11); só os que vencerem, comerão do maná escondido e receberão uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe (Ap 2.17); só os que vencerem e guardarem até ao fim as minhas obras Eu lhes darei poder sobre as nações (Ap 2.26); só o que vencerem serão vestidos de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei seu nome do livro da Vida (repare que ele pode ser riscado deste livro), e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos anjos (Ap 3.5); só os que vencerem serão colocados como coluna no Templo de Deus, e dele nunca sairá, e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da Cidade do meu Deus...e também o meu novo Nome (Ap 3.12); só aos que vencerem, lhes concederei que se assentem comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono (Ap3.21).

Muitos dos cristãos de hoje serão chamados perante à presença do Senhor e o ouvirão dizer: Apartai-vos de mim malditos, não vos conheço! E esta palavra não é para ímpios que nunca alcançaram a fé, mas para os crentes que um dia conheceram Sua graça, receberam a obra da regeneração, e que trabalharam na obra do Senhor! Aqui vemos que estes diziam para Deus o que fizeram, mas foram reprovados.

É possível ao homem regenerado cair desta graça se não mantiver um esforço sincero em permanecer na presença de Deus sujeitando-se  com humildade e inteireza de coração.

O Espírito Santo coopera conosco.
I Jo 5.13 diz: "Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tende vida eterna e para que creiais no Nome do Filho de Deus" - Todo cristão deve ter a certeza da salvação, ou seja, a certeza de que , quando Cristo voltar ou a morte chegar, esse cristão irá estar com o Senhor no céu ( Fp 1.23, 2 Co 5.8). O propósito de João escrever esta primeira epístola é para que o povo de Deus tenha esta certeza (5.13). Porém, note que João em parte alguma da carta declara que uma experiência de conversão vivida apenas no passado proporciona certeza ou garantia da salvação hoje. Supor que possuímos a vida eterna, tendo por base única uma experência passada, ou uma fé morta, é um erro grave. Esta epístola expõe algumas maneiras de sabermos que estamos salvos como crentes em Jesus.

Temos certeza da salvação quando cremos no Nome do Filho de Deus; quando cremos em Cristo como Senhor da nossa vida e procuramos sinceramente guardar os seus mandamentos; quando não amamos ao mundo; quando habitual e continuamente praticamos a justiça, e não o pecado, pois quem vive na pratica do pecado é do diabo; quando amamos os irmãos; quando temos consciência da habitação do Espírito Santo em nós; quando aceitamos e permanecemos na Palavra da Vida e quando temos um intenso anelo e uma inabalável esperança pela volta de Jesus.

Hb 4.11,12 e 13 diz: "Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta pra discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar".

À luz da benção gloriosa do estado eterno e da terrível sorte dos que não entrarão ali, o crente deve esforçar-se diligentemente para alcançar o lar celestial do povo de Deus. Isso requer nosso esforço em direção ao alvo celestial (Fp 3.13,14), apego à Palavra (v.12) e dedicação à oração (v.16).
A Palavra de Deus mostra quem vai entrar no repouso de Deus. Ela é uma espada cortante que penetra no mais íntimo do nosso ser para discernir se nossos pensamentos e motivos são espirituais ou não (vv.12,13). Tem dois gumes e corta, ou para nos salvar ou para nos condenar à morte eterna (Jo 6.63; 12.48). Por isso, nossa atitude para com a Palavra de Deus deve ser achegar-se a Jesus como nosso sacerdote, pois ele também se compadece das nossas fraquezas e nos ajuda, mas precisamos nos achegar a Ele.

Não quero dizer aqui que todas essas coisas vem da nossa capacidade humana de servir ao Senhor, pois nosso braço jamais conseguiria tal coisa, mas quando humildes e quebrantados diante do Senhor, como aquele pecador arrependido que subiu ao monte para orar e nem sequer ousava olhar para o céu quando clamava:  "Senhor tem misericórdia de mim, que sou um homem pecador!". Este voltou justificado. E quanto mais indigno da graça ele se julgava, mais cheio desta graça ele se tornava. A salvação é pela fé, é dom de Deus, e dependemos totalmente Dele para isso, porém, o Espírito Santo que habita no crente, transformando-o numa "nova criatura", com uma consciência e caráter diferentes, aperfeiçoará esta obra até àquele grande dia, naqueles que humildemente perseverarem em buscar , obedecer e viver na presença e na Santidade de Deus. O Espírito Santo coopera conosco nisso, em nos levar ao quebrantamento e ao serviço sinceros, sem manchas, que agrade à Deus.
Jesus disse que "Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! Entrarão no Reino dos Céus.

Quanto ao amor de Deus que não lançaria seus amados no inferno, Deus ama a todos e não faz acepção de pessoas. Ele também não se  agrada da morte do ímpio, não tem prazer nisso! Apocalipse nos adverte que muitos que o conheceram serão lançados lá, e terão seus nomes riscados do livro da vida. Isto é fato! É realidade!

A Bíblia diz que: aqueles tesouros e segredos que olhos nunca viram, ouvidos nunca ouviram, e nunca chegou ao coração de homem algum, é o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Jesus também disse que aqueles que o amam fazem a vontade do Pai.

Fazemos as coisas que Deus odeia, entristecemos o Seu Espírito, nos entregamos à sensualidade, a prostituição e a mentira, conseguimos até extingui-lo, e ainda assim estamos salvos?
Não haveria um engano aí?

O juízo de Deus começa pela Sua Casa!

domingo, 20 de março de 2011

Salvos uma vez, salvos para sempre? Seria esta a mensagem que Jesus nos ensinou?



Quando uma pessoa crê em Cristo e recebe o seu perdão, recebe a vida eterna e o poder de estar ou permanecer nEle. Tendo esse poder, o crente precisa aceitar a responsabilidade quanto à salvação e permanecer em Cristo. Assim como a vara só tem vida enquanto a vida da videira flui na vara, o crente tem a vida de Cristo somente enquanto esta vida flui nele pela sua permanência em Cristo. 
A palavra grega aqui utilizada é "meno", que significa continuar, permanecer, ficar, habitar. As condições mediante as quais permanecemos em Cristo são:
  • 1) Conservar a Palavra de Deus continuamente em nosso coração e mente, tendo-a como guia de nossas ações (v.7);
  • 2) Cultivar o hábito de comunhão constante e profunda com Cristo, a fim de obtermos dele força e graça (v.7);
  • 3) Obedecer aos seus mandamentos e permanecer no seu amor (v.10) e amar uns aos outros (vv.12,17);
  • 4) Conservar nossa vida limpa, mediante a Palavra, resistindo a todo o pecado, ao mesmo tempo que nos submetemos à orientação do Espírito Santo.

Este assunto é de vital importância, pois iludimos a nós mesmos se acreditamos que podemos viver uma vida de pecado e mundanismo, uma vida de egoísmos e insubordinação, regendo nossas vidas e abrindo nossos ouvidos apenas para o que é agradável a nós, conforme as concupiscências do nosso enganoso coração, e ainda assim, mantermos comunhão com Deus e termos a graça de poder encontrar com Ele sem ter do que nos envergonhar. Somos os mais indignos dos homens se agirmos com tanta indeferença à santidade de Deus.
A alegoria da videira e das varas deixa plenamente claro que Cristo não admitia que "uma vez na videira, sempre na videira". Pelo contrário, Jesus nesta alegoria faz aos seus discípulos uma advertência séria, porém amorosa, mostrando que é possível um verdadeiro crente abandonar a fé, deixar Jesus, não permanecer mais nele e por fim ser lançado no fogo eterno do inferno (v.6).
Temos aqui o princípio fundamental que rege o relacionamento salvífico entre Cristo e o crente, a saber: que nunca é um relacionamento estático, baseado exclusivamente numa decisão ou experiência passada. Trata-se, pelo contrário, de um relacionamento progressivo, à medida que Cristo habita no crente e comunica-lhes sua vida divina (Cl 3.4; I Jo 5.11-13).
Aqui, Jesus nos ensinou três verdades de vital importância: a) A responsabilidade de permanecer em Cristo recai sobre o discípulo. É esta a nossa maneira de corresponder ao dom da vida e ao poder divinos concedidos na regeneração; b) Permanecer em Cristo resulta em Jesus continuar a habitar em nós pelo Espírito Santo que nos foi dado. Pois até o mesmo Espírito pode ser entristecido e extinguido de nós, como diz as Escrituras, "não extingais o Espírito" (I Ts 5.19). Se Ele pode ser extinguido, podemos perder esta abundante graça que nos conduz ao Céu. Jesus permanece em nós através da obra do Espírito Santo, se Este mesmo Espírito deixou de habitar em nós, logo, também não permanecemos nesta comunhão. Permanecer em Cristo resulta em Jesus continuar a Habitar em nós; frutificação do discípulo; sucesso na oração e plenitude da alegria. c) As consequências do crente deixar de permanecer em Cristo são a ausência de fruto (vv.2,6), a separação de Cristo e a perdição eterna, onde haverá choro e ranger de dentes.

Sede Santos como Eu sou Santo...

Léa Mendonça - Eu e Minha Casa

sábado, 19 de março de 2011

Satanás Considera o Servo que Deus Usa

Do Livro de Charles Spurgeon - "Satanás Considera o Servo que Deus Usa".
(para nossa meditação - páginas 20,21,22 e 23)


A consideração que satanás faz sobre os santos de Deus é em relação a esta sua sabedoria: ele os observa maravilhado quando considera a diferença entre si mesmo e os santos. Um traidor, quando conhece a completa vileza e a escuridão de seu próprio coração, não pode deixar de ser impressionado quando é forçado a crer que outro homem possa ser fiel. O primeiro recurso de um coração traidor é crer que todos os homens são tão traidores quanto ele e que realmente o são, mesmo que não aparentem. O traidor pensa que todos os homens são traidores como ele, ou seriam, se o pagamento for melhor do que a fidelidade.


Quando satanás olha para o cristão e o encontra fiel à Deus, e à Sua verdade, talvez despreze esse cristão, mas ainda assim se maravilhando com ele e desejando saber como ele age dessa maneira.


"Eu", ele parece dizer, "um príncipe, um nobre do parlamento de Deus, não submeteria minha vontade a Jeovah. Penso que é muito melhor reinar no inferno do que servir nos céus. Não mantive meu primeiro estado, mas caí do meu trono; como pode ser que esses permaneçam? Que graça é essa que os mantém? Eu era um vaso de ouro e, apesar disso, fui quebrado; eles são vasos de barro, mas eu não posso quebrá-los! Eu não poderia permanecer na minha glória; qual pode ser a graça inigualável que os sustenta em sua pobreza, em sua obscuridade, em sua perseguição, ainda fiéis ao Deus que não os abençoa nem os exalta como Ele fez comigo?"


Pode ser também que ele se admire com a felicidade dos santos. Ele sente dentro de si um tempestuoso mar de miséria. Há um abismo incomensurável de angústia dentro de sua alma, e quando ele olha para os crentes , ele os vê quietos na alma, cheios de paz e felicidade, e frequentemente sem meios externos pelos quais poderiam ser confortados e, ainda assim,  regozijando-se e cheios de glória. Satanás anda para cima e para baixo por todo o mundo e possui grande poder, e há muitos cruéis mercenários para servi-lo, mas não tem a felicidade de espírito que possui aquele lavrador humilde, obscuro, desconhecido, sem servos para servi-lo, mas estirado de fraqueza sobre uma cama. 


Ele admira e odeia a paz que reina na alma do crente.

terça-feira, 1 de março de 2011

Último Grau da Depravação - deleitar-se com a concupiscência e a iniquidade dos outros.

Não praticar o pecado mas consentir, traz a mesma condenação?

 Romanos 1.32 diz: "os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem".



          A última palavra de Paulo sobre a pecaminosidade humana tem haver com a condenação, por Deus, de uma condição do ser humano merecedora de maior juízo do que a própria prática do pecado, isto é, apoiar, aprovar e incentivar o mal, sentindo prazer nas práticas imorais dos outros. Esse é o derradeiro grau da depravação - deleitar-se com a concupiscência e a iniquidade dos outros. E o pecado como forma de entretenimento.
          A Palavra consentem (gr. suneudokeo), significa concordar, consentir ou solidarizar-se, indicando o prazer imodesto nos pecados dos outros, ora prevalecente na sociedade humana. Em nossos dias, sabemos quão grandes danos são produzidos pelas cenas imorais que dominam a mídia do entretenimento; mesmo assim, muitos que se dizem cristãos, consentem nisso, sentindo prazer. Quem se diverte, olhando outras pessoas pecarem e cometerem atos malignos, mesmo sem os praticar pessoalmente, receberá a mesma condenação divina que aqueles que a cometem.
          Logo, aqueles que (especialmente os que professam a fé em Cristo) que se divertem com as práticas imorais dos outros, mesmo sem cometê-las, contribuem diretamente para predispor a opinião pública à imoralidade e, portanto, à corrupção e, por fim, à condenação eterna de um número infinito de pessoas. Esse pecado é digno de morte (v. 32) e será desmacarado e condenado no dia do Juízo (2 Ts 2.12).
          No capítulo 1 de Romanos, Paulo mostrou que os gentios entregaram-se à prática do pecado. Agora, no capítulo 2, ele demonstra que os judeus praticam as mesmas coisas e, igualmente, precisam da salvação em Cristo. Como disse Jesus: "Hipócritas, que coais um mosquito e engolis um camelo... como escapareis da condenação do inferno?"
          Uma pessoa, antes de procurar melhorar os outros, deve melhorar a si mesma, abandonando os seus próprios pecados. Igrejas que se esforçam em levar à sociedade ímpia a observar os padrões bíblicos, enquanto elas, por sua cegueira espiritual, não veem o mundanismo e a imoralidade entre os seus próprios membros, deve submeter-se a sondagem divina e mudar o que for preciso, segundo a vontade de Deus. 
Deus não é menino, e conhece a sinceridade dos nossos corações.


          Quando aceitamos a Cristo, a primeira obra do Espírito em nós é a regeneração. Ela acontece na momento em que nos entregamos ao Senhor, e o aceitamos como nosso único e suficiente salvador. Nosso nome é automaticamente escrito no Livro da Vida. Alcançamos a salvação naquele momento. A boca confessou e no coração se creu na vida e ressurreição de Cristo.
          O ladrão na cruz confessou a Jesus como seu Senhor, e foi salvo. Ele disse: "Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino". Aqui, o ladrão reconheceu que Jesus era o Senhor e que poderia salvá-lo, assim como tinha um reino que ele gostaria de conhecer e entrar. Reino este, que somente Jesus poderia fazê-lo conhecer.
          E entrou, pois Jesus lhe disse: "Ainda hoje, estarás comigo no paraíso".
          Jesus o salvou!!!!!!!!!!! E na hora da morte!
          Mas para os que ainda ficaram, há uma caminhada.
          A segunda obra do Espírito na vida do cristão, após a regeneração, é a santificação. Esta é diária, e precisamos cooperar com o Espírito em obediência e renúncia, até o dia em que também seremos chamados por Ele para morarmos no Céu com Jesus para sempre.
          I Cor 3.1, mostra que um dos problemas da igreja de Corinto era sua tentativa de desfrutar das bençãos de Deus e ao mesmo tempo recusar separar-se do mundo.
          Dirigentes, ministros de Deus responsáveis por servir ao povo do Senhor com Sua Palavra, ensinando-os a verdade, deixavam os novos crentes permanecer nas congregações sem abandonarem muitas de suas práticas pecaminosas.
          Jesus adverte que qualquer igreja que tolera dentro de sua comunhão as práticas iníquas deste mundo ou distorção da verdade bíblica, será rejeitada por Ele e perderá seu lugar no reino de Deus. À tal igreja, o Espírito Santo chama ao arrependimento sincero, à separação do mundo e a "aperfeiçoar a santificação no temor de Deus" (2 Co 7.1).


          Isto não quer dizer, em absoluto, que devemos excluir, colocar pra fora, não considerar, aquele que pecou ou está na pratica do pecado conhecido. A estes devemos amar, procurar ganhar como a irmãos em Cristo, pois se trouxermos este que estava perdido e foi achado, cobrimos uma multidão de pecados. E aquele que está em pé, cuide que não caia.
          Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o vosso adversário anda em derredor, bramindo como um leão, procurando uma oportunidade para vos tragar. Viver em pecado e sem temor, é brincar com Deus! E este caminho leva-nos a morte. É como brincar na espuma da cachoeira, desatentos ao fato de que ali há um limo, e que pode ser tarde demais.


...e o povo não se corrompa, santidade ao Senhor!!!!!!!!!!
Sem santidade ninguém verá a Deus!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um Cristão Pode Pertencer a Maçonaria?

UM CRISTÃO PODE PERTENCER A MAÇONARIA?
Achei este estudo no blog "A Pedra - Blog do Pastor Anselmo Melo". Tamanha a gravidade da situação em nossos dias, não podemos esquecer que o povo de Deus perece por falta de conhecimento. 



Por:J. Scott Horrell
A maçonaria constitui um enigma para o povo evangélico. Sendo a maior sociedade secreta do mundo, com cerca de seis milhões de membros atualmente, a maçonaria tem uma longa história entrelaçada com o protestantismo – especialmente na Grã-Bretanha, na Europa, nos Estados Unidos (com 4 milhões de membros) e no Brasil [1]. Ao mesmo tempo, a fraternidade orgulha-se de contar com membros das elites do mundo, seja no passado [2] ou no presente: 
desde Voltaire, Mozart, Garibaldi e Goethe, até vários nobres da Europa - incluindo o rei da Suécia e a Rainha Elizabete II (Grande Patronesa da Loja Britânica) - além de catorze presidentes dos Estados Unidos (Johnson, Ford, Reagan etc.). George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, era um Grão-Mestre maçom, sendo considerado um dos adeptos mais fiéis de todas as treze colônias de sua época. Não é por acaso que a cédula do dólar americano, que tem o retrato de Washington, traz a pirâmide, o esquadro, a águia e outros símbolos maçônicos junto com as palavras NOVUS ORDO SECLORUM (sic., “nova ordem dos séculos”) [3]. O fato de que milhares de pastores e leigos evangélicos ao redor do mundo fazem parte das lojas maçônicas, e de que projetos filantrópicos de grande porte são administrados por eles [4] sugere que essa sociedade só oferece o bem, e até promulga valores e ensinos cristãos.
Por outro lado, conforme alguns estudiosos sustentam, a maçonaria, apesar de se autodenominar não-religiosa, divulga uma filosofia essencialmente anti-cristã. Subjacente à irmandade e aos esforços de caridade, existe um programa não manifesto advogando uma religião sincretista, negando a pessoa divina e a obra salvífica de Jesus Cristo, e mantendo elos sinistros com o ocultismo. A maçonaria foi rejeitada como antitética à fé cristã pelos católicos romanos [5] e pelas Igrejas Ortodoxas Oriental e Russa [6]. Mais recentemente, várias denominações protestantes estão reavaliando o envolvimento de seus membros na sociedade maçônica, chegando a conclusões surpreendentes:
A nosso ver, a obediência total a Cristo impede a adesão a qualquer organização, tal como o movimento maçônico, que parece requerer uma fidelidade integral a si mesma... Exige-se do iniciado que ele se entregue à maçonaria assim como o cristão deve entregar-se somente a Cristo. (A Igreja da Escócia, 1965) [7]
[Este] relatório indica várias razões fundamentais para se questionar a compatibilidade da maçonaria com o cristianismo. (A Igreja da Inglaterra, 1985) [8]
Mesmo na interpretação mais generosa das evidências, permanecem sérias questões para os cristãos acerca da maçonaria... Existe um grande perigo de o cristão que se torna maçom acabar comprometendo sua fé cristã ou sua fidelidade a Cristo, talvez sem perceber o que está fazendo. Conseqüentemente, nossa orientação ao povo metodista é que os metodistas não devem se tornar maçons. (A Igreja Metodista Britânica, 1985) [9]
Sentimos que existe um grande perigo de que o cristão maçom acabe comprometendo sua fidelidade a Jesus, talvez sem perceber o que está fazendo... a conclusão evidente a que chegamos em nossa pesquisa é que há uma incompatibilidade inerente entre a maçonaria e a fé cristã. (As Uniões Batistas da Escócia, Grã-Bretanha e Irlanda, 1987) [10]
Enquanto várias denominações da América do Norte já renunciaram a maçonaria [11] a maior igreja evangélica dos Estados Unidos, a Convenção Batista do Sul - que possui um alto índice de membros maçônicos – está em processo de pesquisa sobre essa questão, e sabe-se que teme que os resultados possam dividir a denominação. Fundadas ou não, tais preocupações das denominações tradicionais devem alertar o cristão, inclusive o cristão maçom, para o fato de que talvez existam elementos básicos da loja maçônica que são questionáveis. A maçonaria, portanto, levanta tensões e perguntas que nem sempre se resolvem facilmente.
No Congresso Maçônico Internacional de 1899, afirmou-se que a fraternidade assumiu o lugar central em todos os movimentos revolucionários do mundo no século XIX [12], inclusive no Brasil. Na maior parte da América Latina, conforme se vê nas histórias de Simon Bolívar, Carlos Alvear, San Martin e Francisco Miranda, a maçonaria e as sociedades semi-maçônicas forneciam as estruturas clandestinas para planejar e financiar as lutas revolucionárias pela independência.[13] Na história brasileira, apesar de ambigüidades sobre quando a verdadeira maçonaria começou, por volta de 1800 havia várias organizações com inspiração maçônica - como as Inconfidências Mineira, Carioca e Baiana - as quais contribuíram grandemente para a autonomia nacional. Mais tarde, com o domínio da maçonaria inglesa (ou Maçonaria Azul, advogando o monarquismo parlamentar) sobre a francesa (ou Maçonaria Vermelha, defendendo a democracia),[14] o próprio Imperador D. Pedro I foi iniciado e, logo, proclamado o Grão-Mestre da loja Grande Oriente do Brasil, em 1822. [15] Conforme o historiador maçônico Manoel Gomes (33°), tanto a libertação do Brasil do domínio português quanto a passagem da monarquia para a república “foram movimentos idealizados, preparados e tornados realidade” pelas lojas da maçonaria.[16] Entre seus membros ilustres, ele inclui Tiradentes, Castro Alves, Rui Barbosa, Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Peixoto, Duque de Caxias, Campos Sales e Padre Diogo Feijó. É interessante notar que, apesar da proibição papal, vários padres, bispos e cônegos faziam parte da maçonaria brasileira antiga, aparentemente como veículo de suas convicções políticas.[17]
O elo evangélico aparece mais tarde. Com sua filosofia de religião aberta (sendo, conforme certos estudiosos, anti-católica), a maçonaria brasileira facilitou, em alguns casos, a entrada de missionários evangélicos no país. Às vezes, a loja maçônica até os protegia da oposição da Igreja Católica.[18] Outras vezes, pelo menos no nível individual, a fraternidade maçônica ajudou a financiar a construção dos templos evangélicos. Por estas e outras razões, a maçonaria goza de alta aceitação em meio a certas denominações protestantes do Brasil, contando até com defensores entre os pastores nacionais.[19] O testemunho sincero do Pr. José Motta reflete uma experiência que não é incomum. Sendo convidado para requerer seu ingresso na maçonaria, o jovem pastor batista foi visitado por um respeitado advogado cristão:
... ele foi me dizendo que também era maçom e que muito se orgulhava de sê-Ia, pois não via inconveniência para nós, crentes em Jesus; pelo contrário, as coisas se tornam mais fáceis para a penetração na sociedade como maçons e a nossa influência como crentes se torna mais acentuada e respeitada... [No dia em que o PI. Motta, com 23 anos, declarou que queria entrar para a maçonaria:] Vi-me cercado por homens da alta sociedade, dentre eles médicos, generais de Exército, aposentados, professores, advogados e outros... Foram momentos agradáveis.
... Agora eu sou maçom. Inicia-se, assim, uma nova etapa na minha vida. Dediquei-me aos trabalhos. Fazia algumas palestras e nessas fazia menção da Bíblia... Louvado seja Deus! A nossa casa era o centro dos encontros. Visitas não faltavam. Famílias e maçons e outros amigos, inclusive de freiras, eram as constantes visitas. Na Loja, pela dedicação na área de assistência social e na educação de adultos, fui galgando os degraus... Sentia-me útil e sabia que, em tudo isso, Deus estava me projetando para o futuro, preparando-me para a Sua Obra.[20]
Tipicamente, os argumentos de maçons evangélicos são que a maçonaria: (1) é uma fraternidade benemérita e não-religiosa; (2) gera respeito para a presença evangélica entre pessoas de alto gabarito; e (3) abre caminho para servir a Deus na sociedade em geral.
Nem todos os evangélicos no Brasil manifestam o mesmo entusiasmo. Algumas denominações são explícita ou implicitamente anti-maçônicas. Em 1903, a Igreja Presbiteriana Independente formou-se sob a liderança de Eduardo Carlos Pereira, separando-se da Igreja Presbiteriana Sinodal (Presbiteriana do Brasil) principalmente devido à questão da loja. A Igreja Luterana Concórdia também se destaca por ser contra a maçonaria. De modo menos agressivo, a Igreja Batista Pioneira continua distinguindo-se' dentro da Convenção Batista Brasileira, em parte devido a essa causa. Com poucas exceções, as denominações teologicamente mais conservadoras fundamentalistas, holiness (Metodista Livre e Wesleyana) e pentecostais (Assembléia de Deus; Igreja Quadrangular, com exceções) - posicionam-se contra a maçonaria, enquanto as igreja evangélicas tradicionais permitem que seus membros afiliem-se às lojas.[21]
Hoje, apesar de ter uma história marcada pela fragmentação, o conjunto das ordens maçônicas do Brasil é uma das grandes potências mundiais da sociedade, consistindo na maior dos países latinos (europeus e americanos), com cerca de 150.000 membros.[22] O novo Palácio Maçônico de Brasília do Grande Oriente do Brasil - a ordem maçônica mais numerosa do país, possuindo por volta de 100.000 membros - foi inaugurado em dezembro de 1992. A cerimônia foi assistida por um grupo de maçons que incluía 120 parlamentares federais e Maurício Corrêa (Ministro da Justiça), o qual, por sua vez, representou o Presidente da República Itamar Franco (Fernando Collor também é maçom).[23] No ano 2000, a Conferência Internacional dos Grandes Soberanos Comendadores acontecerá no Brasil e, conforme a entrevista de Ano Zero com Venâncio Igrejas, o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, “muitos acreditam que o Brasil será um dos países que sediará o advento de uma nova Consciência no século XXI”.[24] Através das Ordens DeMolay e Arco-Íris, dedicadas aos jovens, a influência da maçonaria no Brasil, ao contrário de em outras partes do mundo, parece cada vez mais forte.
Certamente, a presença maçônica está deixando sua marca nas igrejas evangélicas do país. O poder dos maçons na organização de certas denominações é tão marcante que, às vezes, na expressão frustrada de um líder nacional, “parece que há uma hierarquia [maçônica] por trás da hierarquia [denominacional]”. Fundados ou não, existem boatos entre jovens pastores de que, sem ser maçom, não se consegue subir nas estruturas eclesiásticas. Portanto, a questão da maçonaria na igreja evangélica é importante e urgente, acarretando conseqüências para o futuro que nem todos querem reconhecer - posicionando-se seja a favor ou contra.
Esta prolongada introdução leva-nos ao propósito do artigo: analisar a compatibilidade entre a filosofia maçônica e as afirmações centrais da fé evangélica. Não procuraremos julgar a irmandade maçônica em si, nem negar que há indivíduos nas lojas os quais desconhecem ou discordam dos ensinos em geral proferidos dentro das ordens. Responderemos às seguintes perguntas:
1. É possível ter um conhecimento definido sobre a filosofia maçônica?
2. A maçonaria é uma religião?
3. Qual é o lugar que a Bíblia ocupa?
4. Quem é o Deus da maçonaria?
5. Qual é o lugar de Jesus Cristo?
6. Como alguém é salvo?
7. Existem vínculos entre a maçonaria e as religiões ocultas? Na conclusão, faremos observações sobre o relacionamento entre o evangelismo e a maçonaria no Brasil.


1. É Possível Ter um Conhecimento Definido Sobre a Filosofia Maçônica?

Basicamente, os maçons apresentam três alegações defendendo sua posição de que o não-maçom não sabe seus ensinos. Em primeiro lugar, como a confraria é uma sociedade secreta histórica e geograficamente variada em suas formas, o não-maçom simplesmente não tem acesso ao conhecimento claro de seus rituais, símbolos e ensinos. Em segundo lugar, existe uma grande quantidade de livros que se projetam como representantes da verdadeira maçonaria, quando, de fato, em geral não são aceitos pelas lojas, ofuscando assim qualquer imagem distinta pelo público. Finalmente, de acordo com o escritor maçom Alphonse Cerza, não existe uma autoridade final na maçonaria: “Os anti-maçons têm dificuldades em entender que a maçonaria não possui uma 'voz oficial', e que a liberdade de pensamento e expressão é um dos princípios essenciais da Ordem”. [25]
Admitindo que a maçonaria não exalta um livro ou líder como autoridade absoluta e universal, ainda assim ninguém negaria que as ordens e lojas reconhecem autoridades - o que é comprovado pelo fato de que 90% da maçonaria mundial pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito, com seus Supremos Conselhos do 33° Grau. Na verdade, existem várias autoridades: (1) os Landmarks (25 fundamentos absolutos);[26] (2) a Constituição e os regulamentos gerais das ordens, determinados pelos Supremos Conselhos; (3) o Ritual em si - especialmente o da Loja Azul (os três passos básicos de todos os Mestres-Maçons de qualquer rito ou ordem);[27] (4) o Supremo Grande Comendador da Ordem e o Grão-Mestre da loja; e (5) um fato patentemente comprovado mediante extensas pesquisas, há livros reconhecidos e usados no mundo inteiro. Por ordem de preferência nos Estados Unidos, as três obras mais empregadas são: Coil's Masonic Encyclopedia (Enciclopédia Maçônica de Coil”); The Builders (“Os Construtores”), de Joseph Fort Newton; e Mackey's Revised Encyclopedia of Freemasonry (“Enciclopédia Revisada de Maçonaria de Mackey”).[28]
No Brasil, é surpreendente o número de bibliotecas e livrarias (de volumes novos e usados) - especialmente espíritas - que estão repletas de literatura maçônica, incluindo as obras "secretas" da Editora Maçônica. Encontram-se acessíveis ao pesquisador não-maçom dezenas de livros escritos por autoridades maçônicas brasileiras, tais como Jorge Adoum (o Mago Jefa), Nicola Aslan (33°), Joaquim Gervásio de Figueiredo (33°), Manoel Gomes (33°), Rizzardo da Camino (33°) e Zilmar de Paula Barros (33°) - além de muitos outros autores traduzidos em língua portuguesa.[29] Embora os maçons neguem a autoridade absoluta de qualquer um desses indivíduos, não se pode deixar de admitir que a maior parte de seus escritos é representativa da prática e do ensino da maçonaria brasileira (reconhecendo algumas diferenças entre as ordens). Com os documentários e as obras públicas sobre a sociedade, além dos vários livros evangélicos de ex-líderes maçônicos que asseveram expor os segredos da sociedade, existem boas bases para a pesquisa.[30] Tudo isso refuta o argumento de que somente os maçons possuem acesso à sua filosofia.

2. A Maçonaria É uma Religião?

Uma das imagens mais divulgadas pela Loja é a de que a maçonaria não possui dogmas ou credos, sendo que apóia toda religião civil e deixa o indivíduo maçom livre para ter suas próprias convicções de fé. Nas palavras de Venâncio Igrejas, a voz mais autorizada do Brasil: “Nos templos não discutimos política e religião”.[31] A Ordem rejeita categoricamente o ateísmo e diz que apóia a religião da cultura dentro da qual funciona, pretendendo apenas o melhoramento do caráter e da moral de seus membros. Sobre essa diversidade religiosa, Nicola Aslan (33°), em seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, comenta:
A respeito da religião da Maçonaria, as opiniões são muito divididas entre os Maçons e elas dependem, em grande parte, das tendências religiosas e filosóficas que norteiam as obediências e os ritos maçônicos.
Assim, a Maçonaria anglo-saxônica, em grande parte protestante, é considerada profundamente religiosa e teísta, como o Rito de York... Julga-se geralmente a Maçonaria francesa como racionalista, porque, através do Rito Moderno, permite a iniciação a pessoas sem crença definida, considerando que as opiniões religiosas são questões de foro íntimo, enquanto o Rito Escocês Antigo e Aceito, embora exija a crença em Deus do candidato, é denominado deísta...32
Aslan está parcialmente correto. A religiosidade da loja local depende de vários fatores. Muitas vezes, especialmente nos graus mais baixos, a religião aparece apenas como um elemento periférico da função da loja. Outras vezes, a ênfase teológica (implícita ou explícita) pode variar desde o panteísmo e o ocultismo até um teísmo ecumênico e semi-cristão - por exemplo, no sul dos Estados Unidos. Com certa freqüência, os anti-maçons ignoram a diversidade dos ritos e formas práticas das lojas nesse sentido.
Por outro lado, a palavra religião tem uma definição geral que os defensores da maçonaria não podem ignorar. Na obra The Encyclopedia of Philosophy (“Enciclopédia de Filosofia”), encontramos a descrição de nove marcas da religião: (1) a crença num ser ou seres sobrenaturais; (2) a distinção entre objetos sagrados e profanos; (3) atos rituais orientados para esses objetos; (4) um código moral com sanção divina; (5) sentimentos religiosos despertados por objetos ou rituais sagrados e relacionados, em teoria, com um deus ou deuses; (6) a oração; (7) uma cosmovisão que engloba o lugar do indivíduo no mundo; (8) a organização da vida ao redor dessa cosmovisão; (9) um grupo social que é unificado pelas características acima.[33] Conforme Ankerberg e Weldon claramente documentam, a maçonaria caracteriza-se por cada uma dessas qualificações.[34] Por isso, a grande maioria dos líderes admite que a maçonaria é, na verdade, uma religião:
A maçonaria pode afirmar corretamente chamar-se uma instituição religiosa... Veja seus antigos landmarks, suas cerimônias sublimes, seus profundos símbolos e alegorias - todos inculcando uma doutrina religiosa, ordenando uma observância religiosa e a verdade religiosa, e quem pode negar que ela é eminentemente uma instituição religiosa?.. Abrimos e fechamos nossas lojas com uma oração; invocamos a bênção do Altíssimo sobre todos nossos trabalhos; exigimos de nossos neófitos uma profissão de fé confiante na existência e no cuidado providencial de Deus. (Mackey) [35]
Rizzardo da Camino, no Dicionário Maçônico, declara abertamente: “A Maçonaria é uma Religião, no sentido estrito do vocábulo, isto é, na 'Harmonização' da criatura ao Criador. É a Religião [sic.] Maior e Universal”.[36] Joaquim Gervásio de Figueiredo, no Dicionário de Maçonaria, define a irmandade da seguinte maneira:
Maçonaria: “É um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo, visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e outro aspecto interno, mental e espiritual, oculto sob as cerimônias, doutrinas e símbolos, e acessível só ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo”. [37]
Existem dezenas de declarações paralelas.[38] Conquanto haja divergências (uma face pública, outra interna), grande parte da literatura maçônica sem dúvida no Brasil - sustenta abertamente a natureza religiosa da fraternidade. No Brasil, o fato de se descobrirem, em livrarias e bibliotecas, obras sobre a maçonaria junto com livros acerca de esoterismo, ocultismo e religião comprova o consenso público nessa questão. De fato, em quase todos seus escritos, a maçonaria apresenta-se como a essência da religião.[39]

3. Qual é o Lugar Que a Bíblia Ocupa na Maçonaria?

Às vezes, os cristãos maçons destacam que a maçonaria especulativa foi iniciada por dois pastores e, assim, é essencialmente cristã em seus fundamentos. Pelo menos, não contradiz nada do que o cristianismo promulga. Na revista maçônica New Age, Winston Watts (32°) expõe a procura da verdade, afirmando que, "na maior parte, nossa busca está centrada na Bíblia Sagrada, a fonte principal de nosso conhecimento".[40] Em virtualmente todos os dicionários maçônicos, a Bíblia - "o Livro da Lei"é exaltada como "um dos grandes Luzeiros da Maçonaria",[41] um elemento importantíssimo dos móveis da loja ocidental, sobre o qual todo cristão iniciado faz seu juramento. Em parte, é com base em certas figuras bíblicas - por exemplo, São João Batista, São João Evangelista, João Marcos e o artífice Hirãm-Abitt (ou Hirão Abi, 1 Rs 7.13-14; 2 Cr 2.13-14) - que a maçonaria desenvolveu suas mitologias e rituais.
Em toda a literatura maçônica (Ritos York e Escocês), entretanto, dificilmente se descobre qualquer afirmação acerca da única inspiração verbal ou da autoridade soberana das Escrituras. Sem exceção, os autores fazem questão de insistir que a Bíblia é apenas um livro sagrado, usado como metáfora da vontade divina e da lei natural. Na Coils Masonic Encyclopedia, a obra mais autorizada nos Estados Unidos, lemos: “A opinião maçônica prevalecente é de que a Bíblia constitui apenas um símbolo da vontade, lei ou revelação divina, e não que seu conteúdo é lei divina, inspirada ou revelada”.[42]
Naturalmente, sendo um símbolo, a Bíblia precisa de interpretação. Zilmar de Paula Barros, em A Maçonaria e O Livro Sagrado, declara que, “com a morte física de Jesus, perdeu-se a PALAVRA. E, entre as múltiplas finalidades. da Maçonaria, está buscar a 'palavra perdida...', ou seja TRAZER A HUMANIDADE A VERDADEIRA INTERPRETAÇAO DA MENSAGEM EVANGÉLICA DE JESUS![43] Martin Wagner, um perito em maçonaria, observa o seguinte: "Todos os maçons eminentes afirmam que existe um véu sobre as Escrituras, o qual, quando removido, as torna claramente concordes com os ensinamentos maçônicos, e em harmonia essencial com outros livros [sagrados]”.[44] Logo, a filosofia maçônica constitui o par de óculos através do qual tudo é filtrado.
Apesar da ênfase na Bíblia Sagrada, os livros esotéricos freqüentemente recebem mais atenção. Em suas instruções sobre os três primeiros graus (Loja Azul) no Brasil, Nicola Aslan explica:
A Bíblia e a Cabala fornecem o mais poderoso contingente para o enriquecimento do simbolismo maçônico, e o Ocultismo, abrangendo o conjunto dos sistemas filosóficos e das artes misteriosas derivadas dos conhecimentos dos antigos, deu também abundante contribuição.[45]
Quase sempre, a verdadeira sabedoria (antiga) é descoberta no misterioso e oculto, seguindo o gnosis, a iluminação, a numerologia e, especialmente, a cabala (misticismo judaico).[46] Diante da mistura de religiões sincretistas que predominam na literatura maçônica, a Bíblia fica subjugada a interpretações diversas por meios místicos e alegóricos. Por outro lado, ninguém defende uma interpretação objetiva e histórico-gramatical. A Bíblia é aproveitada por sua ética e como símbolo divino, sem encorajar qualquer interpretação doutrinária de seu conteúdo. De fato, muitas seitas consideradas heréticas são mais fiéis ao significado do texto bíblico do que os escritos maçônicos.

4. Quem É o Deus da Maçonaria?

O Deus maçônico é denominado o Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.) - o Ser Supremo, Criador ou Força Cósmica da existência e preservação. O Landmark 19 proclama: “A negação da crença do G.A.D.U. é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação”.[47] Propositadamente, a definição é ambígua o bastante para englobar todos os conceitos de Deus sustentados pelas religiões - não apenas as teístas (judaica, cristã e islâmica), mas também as dualistas (taoísta, zoroastriana) e as panteístas (gnóstica, espírita, hindu e budista). Sem dúvida, no início da história da maçonaria especulativa, as pressuposições eram mais teístas, como continuam sendo para os cristãos que se envolvem na loja. Ironicamente, foram os reverendos anglicanos James Anderson e John Desagulliers, elaboradores da primeira Constituições (1723), que abriram a maçonaria para todas as crenças e descristianizaram a linguagem maçônica, procurando uma estrutura teológica mais universal.[48] Entretanto, a nível popular, dentro das culturas “cristãs” - cada vez menos, porém - o Grande Arquiteto do Universo continua a ser cultuado como um Ser soberano, inteligente, moral e, em certo sentido, pessoal. Assim como o antigo liberalismo do século passado, a maçonaria proclama “a paternidade do Pai e a fraternidade ao homem”. Semelhantemente, também, a essência da religião define-se mais pela ética do que por qualquer crença em afirmações doutrinárias.[49] Logicamente, tais afirmações já pressupõem uma cosmovisão e uma teologia geral que se encontram expressas em muitos escritos, como no Dicionário de Gervásio de Figueiredo:
Não obstante a imensa diversidade de seus cultos externos, todas as religiões apresentam uma base comum em seus internos princípios morais, filosóficos e místicos. Com efeito, o estudo comparativo das religiões demonstra serem idênticos os seus ensinamentos fundamentais sobre a Divindade, o homem, o universo, a vida futura, porém adaptados à época e ao povo a que se destinaram... Seus imortais fundadores foram todos Mensageiros da Verdade única, que deram à humanidade seu evangelho de União e Fraternidade, para que através do Amor as almas se religuem entre si e ao Supremo. Todos eles foram unânimes em proclamar a Paternidade de Deus e a Fraternidade dos homens. Tal foi, em essência, a mensagem de Vyâsa, Hermes, Trismegisto, Zarathustra, Orfeu, Krishna, Moisés, Pitágoras, Platão, Cristo, Maomet e outros. [50]
O conceito de Deus nos escritos da maçonaria é uma mistura de tudo, de gnosticismo, druidismo, luciferianismo, hinduísmo, taoísmo, zoroastrismo, iluminismo, cristianismo liberal e Nova Era. Mackey declara: “A religião da maçonaria é cosmopolita, universal... 'Esteja certo', diz Godfrey Higgins, 'de que Deus está igualmente presente com o piedoso hindu no templo, o judeu na sinagoga, o muçulmano na mesquita e o cristão na igreja'”.[51] Contudo, por trás do pluralismo, existe uma crença fundamental, articulada por Aslan:
...é absolutamente necessário fazer abstração de todo fanatismo como de todo preconceito religioso ou anti-religioso, posto que estas veneráveis tradições são os “ecos” dos velhos dados da antiga ciência dos Iniciadores, tão intimamente ligada, então, às Religiões que é quase impossível separá-las de sua Mãe.[52]
Ou seja, todas as religiões são representações das antigas e primitivas verdades, destiladas no ensino da maçonaria, que é, em última instância, a Mãe de todas as religiões. Deus, o G.A.D.U., é o Deus buscado e manifestado por todas as religiões. Infelizmente, tal representação - popular no romantismo otimista dos séculos XVIII e XIX - ignora um fato muito patente: seu conceito de Deus determina sua ética. É impossível unificar as definições mais variadas de Deus em torno de uma ética fraternalista: o pacifismo social do hindu, a ética vindicativa do muçulmano e o amor autosacrificial ativo do cristão encontram-se diretamente relacionados com contraditórios conceitos de Deus.
Talvez uma das acusações mais fortes contra a loja seja a seguinte: no grau do Real Arco do Rito de York, quando o maçom supostamente encontra a Arca da Aliança perdida nas ruínas do templo salomônico, descobre-se o verdadeiro nome de Deus como sendo JABULOM. Tal nome, segundo o próprio H. W. Coil, é uma associação de lahweh (o Jeová do Antigo Testamento), Ba'al ou Bel (o deus cananita) e Om (Osiris, o deus-sol do Egito)[53] - o que um autor chama de “Não-Santíssima Trindade”.[54] Outros observam que, no Rito Escocês, no 17° Grau dos Conselhos de Cavaleiros do Oriente e Ocidente, há também a “palavra sagrada” Abadom; este nome divino na maçonaria é o nome do rei ( ou anjo) do abismo, em Apocalipse 9.11.[55]
Embora a maçonaria encoraje um pluralismo da conceituação de Deus, conforme vários autores afirmam, há cada vez menos lugar para o Deus tripessoal da Bíblia. A idéia do Logos e da Trindade é vista de uma forma gnóstica e alegórica, distante da Confissão de Nicéia, como vemos na exposição do 4º Grau por Jorge Adoum [56]. Embora nem todos o façam, alguns eruditos maçônicos, tais como Albert Pike [57], presunçosamente atacam o cristianismo clássico com os argumentos comuns do século XIX, alegando um politeísmo que formou o judaísmo antigo, a base pagã do trinitarismo, e pregando um deísmo otimista característico daquela época. Num novo documentário, Robert A. Morey, um autor bastante objetivo, declara o seguinte:
Centenas de livros maçônicos que atacam o cristianismo e ensinam abertamente o paganismo são publicados, apoiados e recomendados por altos oficiais, lojas estaduais e conselhos supremos. É-nos dito que isso é adequado, porque a Ordem deve ser universal em seu apelo, e cada maçom pode interpretar a palavra “Deus” e os símbolos da confraria da maneira como quiser.
Entretanto, quando um cristão maçom procura oferecer uma interpretação cristã dos rituais e símbolos da confraria, ele é proibido de assim o fazer!... Para cada escritor maçom que diz que a maçonaria não é uma religião, há cinco escritores maçons afirmando que é uma religião pagã... todos eles concordam que o cristianismo está errado e que seus ensinamentos não devem ser permitidos na loja...
Se a maçonaria continuar na direção em que parece estar indo, então os cristãos maçons devem abandonar a Ordem, porque ela vem se tornando uma religião pagã, ocultista, hostil ao cristianismo.[58]
Concluímos que, embora alguns indivíduos e até certas lojas locais sustentem uma definição da divindade mais próxima do cristianismo histórico, a grande maioria ignora ou rejeita a perspectiva bíblica de Deus. Dificilmente se pode negar que, nas águas turvas do ritual e do símbolo maçônicos, há implicações sinistras sobre o entendimento de Deus para o cristão verdadeiro.

5. Qual É o Lugar de Jesus Cristo?

Diante de um conceito ambíguo e unitariano de Deus, seria correto esperar pouco sobre o Redentor. Ao buscarmos informações acerca de Jesus Cristo nos dicionários e enciclopédias maçônicos - Coil, Mackey, Macoy, Gervásio de Figueiredo, Rizzardo da Camino, Aslan - descobrimos uma ausência quase total de dados a esse respeito. Quando se procuram referências sobre Jesus Cristo, a cruz ou outros ensinos especificamente cristãos nas próprias citações bíblicas dos rituais e cerimônias maçônicos, percebe-se logo que todas foram omitidas - tiradas do meio dos trechos (e. g. At 4.11; 2 Ts 3.6, 12; 1 Pe 2.4-8, onde a pedra angular é o verdadeiro maçom).[59] Embora as reuniões maçônicas incluam a oração, é absolutamente proibido orar no nome de Jesus. Eles até mesmo modificaram o calendário baseado no advento de Cristo, aceito no mundo inteiro, para um sistema irreligioso: “Os maçons, ao fixar datas em seus documentos oficiais”, diz Mackey, “nunca fazem uso da época comum ou era vulgar, mas têm uma que lhes é peculiar...”[60] Paradoxalmente, em alguns casos, os mesmos dicionários que omitem Jesus Cristo contêm artigos substanciais sobre dezenas de outros religiosos antigos e modernos - Jonas, Ezequiel, Orfeu, Pitágoras, Zoroastro, Emmanuel Swedenborg, Annie Besant, Helena Blavatsky etc. Isso sugere, no mínimo, a irrelevância de Jesus Cristo na filosofia maçônica.
Em alguns 'aspectos, a maçonaria evidencia implicações ainda mais preocupantes: por um lado, a divindade de Cristo é negada e, por outro, a divinização do homem é afirmada. Rizzardo da Camino define Cristo da seguinte maneira: “É a denominação de um 'estado de alma' que se encontra na parte espiritual do ser humano. Jesus atingiu esse 'grau' na Cruz e por isso foi denominado de Jesus o Cristo. É erro dizer-se 'Jesus'... Cada cristão pode ter em si o Cristo...”[61] Se as evidências acima forem conclusivas de que Deus normalmente é conceituado em categorias deístas, ocultas e panteístas, então é impossível que Jesus Cristo seja o Filho unigênito de Deus. Ele se torna apenas “um grande mestre de moralidade” ou protótipo de divinização - algo corroborado por vários dos principais autores maçons.[62] Entretanto, apesar das múltiplas negações da divindade de Jesus Cristo, os cristãos maçons ressalvam que tais não passam de diferenças de convicções religiosas, todas permitidas sob o teto maçônico; assim, uma posição é igual à outra.
Uma história recente toca nesse ponto. O Venerável Mestre James Shaw (33°) era um orador experiente da cerimônia do Cavaleiro Rosa-Cruz (18° grau do Rito Escocês), que é praticada toda quinta-feira da Semana Santa. Conforme havia feito muitas vezes, mas agora como um cristão recém-convertido - estando todos vestidos em mantos pretos e encapuzados – ele começou a conduzir o ritual: “Encontramo-nos neste dia para comemorar a morte de nosso 'Sapientíssimo e Perfeito Mestre', não como inspirado ou divino, pois isto não compete a nós decidir, mas como pelo menos o maior dos apóstolos da humanidade”. A mesa em forma de cruz, sobre a qual há rosas vermelhas, é o lugar onde o mestre dirige a ceia maçônica, com vinho e pão: “Comei e dai de comer a quem tem fome... Bebei e dai de beber a quem tem sede”. Depois de apagar todas as velas do candelabro, com exceção de uma, o mestre anuncia a morte do “Sapientíssimo e Perfeito Mestre” - “Ele está morto! Lamentai, pranteai e chorai, pois ele se foi” e apaga a última vela, tudo terminando em escuridão.[63] Embora Shaw tivesse conduzido esse mesmo ritual diversas vezes, nesta ocasião ele estava tremendo e com náusea, reconhecendo o significado cristológico do que fazia: “Tínhamos dramatizado e comemorado a extinção da vida de Jesus, sem mencionar sequer uma vez seu nome... Eu havia acabado de chamar Jesus de 'um apóstolo da humanidade' que não era inspirado nem divino”. Logo depois, Shaw renunciou à loja.[64] Sua conclusão foi que o sentido anticristão não representava apenas uma facção maçônica ocultista declarada, mas certos rituais e ensinos básicos da maçonaria são deliberadamente antagonistas à fé cristã.

6. Como Alguém É Salvo na Maçonaria?

Quando o iniciado (chamado profano) participa do primeiro grau de Aprendiz-Maçom, confessa-se que ele (vendado, nesse momento) vivia nas trevas e estava cego, mas, agora, deseja entrar à verdadeira luz da maçonaria.[65] Não há nenhuma exceção para o cristão. Enquanto a irmandade não articula publicamente um caminho de salvação, existem pressuposições inegáveis - vistas desde o primeiro rito até o sepultamento de cada maçom. A perspectiva soteriológica da maçonaria é percebida através de quatro conceitos, os quais orientam toda sua prática: (a) a natureza do homem; (b) a aceitação de Deus; (c) a vida vindoura; e (d) o proselitismo evangélico.
a. A natureza do homem. O cristianismo clássico confessa a verdade irônica de que o ser humano, sendo criado na imagem de Deus, é ontologicamente superior e separado das outras criaturas terrestres. Ao mesmo tempo, porém, ele é espiritualmente rebelde e corrupto, afastado de Deus e morto em suas transgressões - ou seja, ele é moralmente o pior ser terrestre. Apesar de suas muitas instruções moralistas, a maçonaria é marcada por uma ausência total dos conceitos de pecado e arrependimento (nem possui tais palavras em seus dicionários). Em vez de estar separado do G.A.D.U., o homem é visto como apenas imperfeito e não-iluminado, algo simbolizado na Pedra Bruta (cubo polígono) do Aprendiz, que nos graus seguintes é burilada e polida: “Símbolo da Idade Primitiva e, portanto, do homem em estado natural e sem instrução, a Pedra Bruta é a imagem da alma do profano antes de ser instruído nos mistérios maçônicos”.[66] O profano, ou não-maçom, não está derradeiramente perdido, mas encontra-se apenas mais longe de Deus do que a elite fraternal da maçonaria, que possui a responsabilidade de construir “o Templo da Humanidade”. A loja é o meio através do qual os homens podem melhorar a si mesmos e procuram “levantar templos à Virtude e cavar masmorras ao vício”.[67] Assim, a maçonaria pressupõe essencialmente a natureza boa de cada ser humano, mas esta natureza precisa de um despertamento e de uma iluminação por meio da filosofia da fraternidade.[68] Obviamente, não há necessidade e nem motivo para a propiciação de pecados mediante a morte de Jesus Cristo na cruz.
b. A aceitação de Deus. “A maçonaria”, afirma J. S. M. Ward, “ensina que cada homem, por si mesmo, pode desenvolver seu próprio conceito de Deus e, assim, alcançar a salvação”.[69] Sem dúvida, a maçonaria promulga a idéia de que, através de seus próprios esforços, o homem é aperfeiçoado e torna-se digno perante o G.A.D.U. A regeneração, ou conversão, é essencialmente um processo da alma humana.
A doutrina da regeneração foi ensinada, nos Antigos Mistérios, por símbolos: não é, porém, o dogma teológico da regeneração peculiar à Igreja Cristã, mas o dogma filosófico de uma mudança da morte para a vida, isto é, um novo nascimento para a existência imortal... É esta a doutrina ensinada nos Mistérios maçônicos, e muito especialmente no simbolismo do Terceiro Grau [ressurreição de Hirãm-Abif]. Não precisamos dizer que o Maçom se acha regenerado pelo fato de ter sido iniciado, mas tão-somente que foi doutrinado na filosofia da regeneração, ou na do renascimento de todas as coisas - da luz surgindo das trevas, da vida nascendo da morte, da vida eterna em substituição da vida transitória.[70]
Rizzardo da Camino acrescenta: “A finalidade precípua da Maçonaria é o ato regenerativo. A reconstrução do ser humano, da Natureza, do Cosmos, são os ideais maçônicos”.[71] Se alguns expositores da maçonaria falam de uma salvação realizada por uma progressão que envolve o auto-aperfeiçoamento e boas obras, outros, como Albert Pike, avançam mais um passo, já visto anteriormente: “Em cada ser humano, o Divino e o Humano estão entrelaçados”, e “a maçonaria é a subjugação do Humano pelo Divino que está no homem”.[72] Como Pike, Gervásio de Figueiredo pressupõe a divindade inata de cada homem: “Deus é a alma de tudo... Deus e o mundo são apenas um”.[73] Diante das múltiplas afirmações maçônicas sobre a natureza da salvação, muitos autores concluem que a soteriologia maçônica é antiética à fé evangélica, conforme articulado pelo escritor maçônico E. A. Coil:
O fato de a diferença fundamental entre os princípios incorporados nos credos históricos da cristandade e aqueles de nossas ordens secretas modernas não ter sido claramente refletida é indicado pela evidência de que muitos comprometem-se com ambos. Há maçons que, nas igrejas, aderem à doutrina de que "somos considerados justos perante Deus apenas pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pela fé, e não por nossas próprias obras e merecimentos", e entusiasticamente juntam-se ao coro dos hinos nos quais essa idéia é expressa. Então, em suas reuniões maçônicas, exatamente com o mesmo entusiasmo, eles assentem à seguinte declaração: "Embora nossos pensamentos, palavras e ações possam ser ocultos dos olhos dos homens, ainda assim aquele Olho-Que-Tudo-Vê, a quem o sol, a lua e as estrelas obedecem... penetra nos recantos mais íntimos do coração humano, e nos recompensará de acordo com nossos méritos". Uma criança pequena, assim que se chame sua atenção para o assunto, deve ser capaz de perceber que é impossível harmonizar a frase do credo aqui citada com a declaração extraída da admoestação de uma de nossas maiores e mais eficazes ordens secretas, e encontrada, na totalidade, nas liturgias de todas, ou quase todas, as outras... Uma dessas afirmações exclui a outra. Os homens não podem coerentemente anuir a ambas.[74]
Na maçonaria, a salvação do homem é alcançada sem Jesus Cristo. O ser humano alcançará a perfeição e a aprovação divina através de seus próprios esforços moralistas, senão por sua própria divinização.
c. A vida vindoura. O Landmark n° 20 declara que, de cada maçom, “é exigida a crença de uma vida futura”.[75] A imortalidade da alma é uma das doutrinas mais importantes da confraria. Por isso, tendo obtido a permissão da família, os maçons exigem o controle exclusivo sobre o último rito do irmão falecido. Embora os rituais fúnebres variem, todos declaram que o maçom, por sua pureza de conduta e vida de serviço, recebe a aceitação na Loja Celestial onde o G.A.D.U. preside.[76] Visto na literatura maçônica, o conceito da imortalidade da alma aproxima-se mais da hierarquia espiritual do espiritismo brasileiro, consistindo num sincretismo de elementos religiosos.[77] Procuramos em vão qualquer referência ao inferno ou à separação de Deus devido ao pecado, e mesmo sobre o juízo final, ou seja, as doutrinas bíblicas que estabelecem a estrutura do evangelho de Jesus Cristo.[78] Cada vez mais, fica auto-evidente que a participação do cristão numa irmandade assim é uma negação implícita de tais verdades.
d. O proselitismo evangélico. A perspectiva da maçonaria sobre o cristão também é importante a esse respeito. Elogiando o hinduísmo como uma religião que não busca seguidores, Mackey destaca a regra de toda ordem: “Em termos absolutos, a maçonaria é rigorosamente contra todo proselitismo”.[79] Admitindo sua própria religiosidade, a maçonaria proíbe o evangélico de falar sobre Cristo na loja. Em Maçonaria: Contra ou a favor?, o Pr. J.J. Soares narra que em “certa ocasião perguntou a um ilustre pastor, que na época era venerável [mestre], se ele conhecia algum maçom que tivesse aceitado o evangelho, não teve surpresa com a resposta: 'nenhum’.”[80] Inversamente, por mais rara que seja, qualquer forma de “cristianização” conservadora da maçonaria - vista, por exemplo, em A Maçonaria e o Cristianismo, de Jorge Buarque Lyra (1953) - é, na melhor das hipótese, tolerada, sendo geralmente denegrida e refutada pelas autoridades.[81]

7. Existem Vínculos Entre a Maçonaria e as Religiões Ocultas?

A maioria dos maçons ridicularizaria a acusação de que a fraternidade esconde elementos das religiões ocultas. Eles dizem que os símbolos encontram-se abertos a interpretações diversas e, na verdade, não importa se alguns querem interpretá-los de uma forma mística. Contudo, John Ankerberg, autor de cinco documentários sobre a maçonaria, observa:
A maioria dos maçons que participam dos rituais não compreende seu sentido oculto. Caso sigam a maçonaria apenas como uma participação irrefletida nos rituais, para eles talvez seja verdade que a sociedade não é ocultista. Tais maçons desconhecem o significado misterioso de muitos dos símbolos e rituais maçônicos, e escolheram não abordar a questão. Mas isso não se aplica a todos os maçons. Há outros que realmente buscam o sentido oculto.[82]
Em The Brotherhood (“A Irmandade”), Knight nota que os adeptos maçons quase sempre mostram atração pelo oculto, procurando “o significado real” existente por trás das ambigüidades dos ritos: “Tais pessoas são gradualmente aceitas no santuário interior da irmandade”.[83] Como o alcance do relacionamento entre a maçonaria e o oculto é vasto, limitaremos as observações a três áreas: os juramentos, a ilusão e a simbologia pagã.
a. Os juramentos. Cada maçom jura ser leal à fraternidade acima de qualquer outro grupo (incluindo a igreja), mediante votos extremamente fortes. Prometendo solenemente não divulgar os segredos da maçonaria - nem os crimes de outros maçons (exceto o homicídio e a traição) - o iniciado jura o seguinte, sobre o Livro Sagrado (a Bíblia, Alcorão ou Vedas etc.):
Eu ...juro e prometo, de minha livre vontade, pela minha honra e pela minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus, e perante sta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria que me vão ser confiados... Se violar este juramento seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado nas águas do mar, onde o nuxo e renuxo me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus e desonrado com os homens. Assim seja.[84]
Outros juramentos maçônicos são semelhantes, cada um exigindo fidelidade absoluta à Ordem - muitas vezes com votos de sangue. O juramento do 33° Grau no Templo em Washington, D.C., por exemplo, é selado bebendo vinho de um crânio humano, e um indivíduo vestido como se fosse um esqueleto abraça cada participante no momento do voto fatal.[85] Enquanto certos juramentos na cultura geral parecem lícitos diante da lei, biblicamente o cristão é proibido de jurar sem necessidade (Lv 5.4-6; Mt 5.33-37), muito menos quando isso envolve votos bizarros e sanguinolentos, invocando a morte - os quais caracterizam a maçonaria e todo o ocultismo. Nisso, quase todas as fraternidades secretas e seitas ocultas seguem o padrão da maçonaria.[86]
b. A ilusão. Os escritores mais eminentes da confraria admitem que a elite maçônica ilude os maçons dos níveis inferiores, deixando que eles creiam no que desejam. As verdades mais sublimes permanecem ocultas dos neófitos, sendo que os mais avançados mantêm as chaves do “conhecimento real”. Segundo Martin L. Wagner:
A maçonaria esconde ciosamente seus segredos, e intencionalmente desorienta os intérpretes presunçosos. Parte dos símbolos é exposta ao iniciado, mas ele é deliberadamente enganado por interpretações falsas... Os segredos reais permanecem ocultos e... esses se encontram tão profundamente encobertos para o maçom quanto para qualquer outra pessoa, a menos que tenha estudado a ciência do simbolismo em geral, e do simbolismo maçônico em particular... A venda real nunca é completamente removida dos olhos de uma imensa maioria dos membros da confraria. Eles nunca são levados à verdadeira luz da maçonaria... Eles enxergam as vestimentas, mas não aquilo 'que os trajes ocultam.[87]
O fato de as autoridades admitirem o engano dos iniciados deve levantar suspeitas em duas áreas críticas. (1) A ética da organização maçônica é questionada. Por trás dos "bons homens", há uma estrutura clandestina de poder e manipulação. Existem vários livros argumentando que uma fraternidade secreta na civilização geral acaba pervertendo a justiça e minando a democracia; há sempre uma hierarquia oculta que defende seus próprios interesses.[88] Quando o juiz, o advogado, o policial e os criminosos são todos maçons, o veredicto será muito diferente do que no caso de um criminoso comum. Da mesma forma, numa denominação, quando existe uma hierarquia maçônica secreta, a unidade, a honestidade e a transparência do Corpo de Cristo são sacrificadas por manipulações políticas, segredos e jogos de poder - algo que alguns afirmam marca várias denominações evangélicas brasileiras. (2) O mesmo fato da ilusão dos maçons inferiores levanta, também, uma suspeita sobre a validade da interpretação cristã que os evangélicos maçons fazem dos ritos. Parece mais um entendimento que é tolerado com o propósito de penetrar na igreja e, assim, controlá-la. Os dados já apresentados indicam que a maçonaria, de fato, não possui nenhum interesse no evangelho do cristianismo clássico.
c. A simbologia pagã. Por natureza, os símbolos sempre significam algo, ou nem seriam usados. Não são elementos vazios ou arbitrários. Na melhor das hipóteses, é algo ingênuo o cristão maçom dizer que os milhares de símbolos da Ordem são meramente relativos à fé do indivíduo, podendo ser tanto bíblicos quanto pagãos.
Há mais duas considerações importantes nessa questão. Primeiro, não existe uma teoria conclusiva sobre as origens históricas da maçonaria. Segundo Morey, foi a maçonaria francesa que desenvolveu as idéias esotéricas popularizadas por Albert Pike, a saber, de que a maçonaria foi iniciada nas religiões antigas e ocultas. Hoje, “nove em cada dez livros repetem essencialmente Pike”, o qual, por sua vez, plagiou as idéias de Abbe Robin, Alexander Lenoir, Eliphas Levi e Godfrey Higgins:
Será em vão procurar quaisquer referências aos mistérios ou divindades pagãs na maçonaria antiga. Não pudemos encontrar uma única menção às artes ocultas, tais como a magia ou a astrologia. Ninguém alegava ser um druida ou um feiticeiro. O primeiro escritor que tentou associar os mistérios pagãos à maçonaria foi Abbe Robin, em 1780. Ele afirmava que a maçonaria era a guardiã atual dos mistérios antigos.[89]
Enquanto os rituais de hoje derivam de um processo evolutivo,[90] os eruditos geralmente concordam que Pike e Mackey são os arquitetos da maçonaria atual, seguidos por H. W. Coil, Newton, Duncan, Clausen, Waite, Mellor et. a!. Assim, as raízes históricas não vêm diretamente das religiões pagãs; o ocultismo, em parte, foi imposto à fraternidade.
Por outro lado, discordar de que a maçonaria originou-se diretamente das religiões pagãs não significa negar que os símbolos maçônicos encerram um significado ocultista. As questões principais não são tanto históricas, mas filosóficas: de onde vêm os símbolos maçônicos usados hoje? E, ainda mais importante, quais são as interpretações normativas desses símbolos dentro da confraria? Os limites do presente trabalho exigem um resumo desse tópico, que é ao mesmo tempo abrangente e fundamental. Há uma crescente dominância das interpretações explicitamente ocultas acerca dos símbolos da maçonaria. Albert Pike e Manly P. Hall eram conhecidos como cabalistas e luciferianos,[91] e sua influência é notável nos graus mais altos da maçonaria. Pike declarou que "a cabala é a chave das ciências ocultas" e “todas as associações maçônicas devem a ela [a cabala] seus símbolos e seus segredos”.[92] Junto com a cabala, a maçonaria bebe livremente das fontes da filosofia hermética, do rosicrucianismo, das religiões orientais e da Nova Era. O mais condecorado maçom do mundo, H. V. B. Voorhis, autor de vinte e seis livros, declara que existe um nível da maçonaria - “mais profundo do que a membresia geral compreende” - chamado de maçonaria oculta.[93] O Soberano Grande Comendador Henry C. Clausen promulga “a verdadeira Nova Era” com “nosso altar no Oriente” e a “divindade em todas as coisas”.[94] No Brasil, quase não há exceção à simbologia oculta, existindo centenas de livros que defendem as interpretações cabalistas, alquimistas, gnósticas, teosofistas e espíritas dos ritos e símbolos da maçonaria.[95] Já observamos os nomes atribuídos a Deus (JABULOM, Abadom), a missa maçônica da Semana Santa e certos ritos e juramentos, com suas implicações pagãs. Símbolos como a estrela invertida (pentalfa, sinal comum do satanismo), a serpente, a pirâmide com o olho esquerdo, crânios humanos, o bafomet (cabra de Mendes, deus do Egito) etc. dificilmente são neutros, e muito menos cristãos.[96] Infelizmente, justamente por serem símbolos ocultos, é impossível provar por completo seu significado absoluto sem que se profira outra interpretação.
Com a União Batista da Escócia, concluímos: “Certamente, todo o complexo de idéias inerentes à maçonaria traz semelhanças precisas com o ocultismo, estando em nítido contraste com a pureza e a simplicidade do evangelho, e seria inconsistente com o 'caminhar na luz' do cristão”.[97] Provavelmente, segundo Ankerberg,[98] com o novo misticismo mundial (e sem dúvida no Brasil), a fraternidade e o ocultismo estarão cada vez mais servindo um ao outro - os maçons sendo levados às artes negras, e os ocultistas infiltrando-se e dominando a maçonaria.

CONCLUSÃO

Baseado em sua extensa pesquisa, Stephen Knight - que não é nem cristão, nem maçom - observa o seguinte: "A maçonaria está extremamente preocupada em ter - ou parecer que tem - boas relações com todas as igrejas cristãs".[99] Ele prossegue dizendo que, dentro da igreja, o poder maçônico é tão forte que "a igreja... não ousa ofender ou provocar milhares de leigos influentes e, muitas vezes, financeiramente abastados, investigando as implicações religiosas da maçonaria.[100]
Notamos as evidências de que: (1) é possível obter um conhecimento adequado da filosofia e das cerimônias da maçonaria; (2) a fraternidade é, em todos os elementos básicos da definição, religiosa por natureza; (3) o uso da Bíblia é meramente simbólico, sendo os ensinos reinterpretados conforme qualquer filosofia que o maçom quiser; (4) o vago conceito do G.A.D.U. maçônico é compatível com toda religião; (5) há uma omissão quase absoluta de referências sobre Jesus Cristo, mas não de vários outros líderes religiosos; (6) o homem, bom em si mesmo, torna-se aceitável por sua própria justiça diante do G.A.D.U.; e (7) há elos cada vez mais fortes com o ocultismo, os quais, de fato, saturam os ritos e símbolos maçônicos. Portanto, fica autoevidente que a religião maçônica é ambígua, mas não vazia. E é justamente essa ambigüidade, assim como as religiões sincretistas do Egito, de Caná, da Babilônia da antiga cultura grega e do Império Romano - sempre vistas na Bíblia como falsas e diabólicas - que torna a maçonaria totalmente incompatível com a fé cristã.
Mas o enigma continua. Como cristãos, e até mesmo pastores evangélicos, podem pertencer à loja? Por um lado, "é impossível... manchar os caráteres de tantos maçons ilustres com a adoração ao diabo".[101] Há indivíduos bons na irmandade. E nem todas as lojas e ordens funcionam com a mesma ênfase em seus ensinos religiosos e filosóficos. Por outro lado, uma vez dentro da confraria, é difícil sair. Diante de poderosos membros da sociedade, o cristão maçom faz juramentos solenes de segredos. Pode-se dizer, também, que o cristão geralmente permanece nos graus inferiores, muitas vezes mantendo uma ignorância intencional para aproveitar as ligações privilegiadas.[102] Sem dúvida, muitos cristãos maçons justificam-se com razões sentimentais por se sentirem bem e aceitos na irmandade elite, não fazendo nenhuma reflexão religiosa. Como há outros cristãos na Ordem, ele se engana, evitando as inescapáveis implicações dos ritos, palestras e escritos dos mais adeptos, e explica-se dizendo que, de uma forma ou de outra, está servindo a Deus. Visto de uma maneira mais crítica, ele adora 11m deus falso, cala seu testemunho de Cristo, aceita o fato de que o homem pode salvar a si mesmo, contribui com mensalidades e taxas para cada grau e, assim, colabora tacitamente para a perdição dos outros maçons que precisam da verdadeira luz.
Alva J. McClain, fundador do Grace Theological Seminary, apresenta quatro explicações para o fato de o chamado cristão permanecer na Maçonaria.[103] (1) Ele não entende de que consiste o cristianismo bíblico; para ele, é apenas uma religião sincretista e liberal. (2) Ele não compreende o que é a maçonaria, desconhecendo a filosofia religiosa da confraria (pois há uma extraordinária ignorância dentro do movimento). (3) Alguns cristãos continuam se relacionando com a maçonaria, apesar de entenderem o que é o cristianismo e o que é a maçonaria. Estes ficam sem desculpa, especialmente se forem pastores - caso idêntico ao dos sacerdotes que esconderam seus deuses abomináveis no Templo sagrado em Jerusalém, na visão de Ezequiel 8. E (4) alguns dos chamados cristãos dentro da maçonaria já são apóstatas da verdadeira fé. Apesar de diferenças teológicas, concluímos junto com o catolicismo, as ortodoxias grega e russa e as declarações de muitas denominações evangélicas, que o cristianismo e a maçonaria são, de fato, mutuamente exclusivos.
Profira-se mais uma palavra. Diante do crescimento do ocultismo no Brasil, as igrejas precisam fazer as difíceis perguntas sobre a compatibilidade da maçonaria com a fé bíblica. Os leigos, ao pastor; o pastor, aos leigos. A igreja, diante da denominação; a denominação, perante as igrejas. Como os herdeiros das doutrinas da reforma - sola fide, sola gratia, sola scriptura - podem continuar como as únicas tradições cristãs que não confrontam a filosofia maçônica? É hora de pedir coragem aos evangélicos dentro das lojas para que se desvinculem da maçonaria (2 Co 6.14-17), e isto, com a graça e o testemunho honesto da verdadeira Luz, Caminho e Vida. Ressalvamos que, da perspectiva humana, há indivíduos bons e obras sociais admiráveis na maçonaria. Entretanto, que a estrutura religiosa e filosófica da maçonaria é contrária aos princípios fundamentais da fé cristã, isso é impossível negar.
Sobre o autor: Scott Horrell é norte-americano e foi, durante muitos anos, missionário no Brasil. Formado em Literatura Inglesa, ele aprimorou seus conhecimentos teológicos na comunidade evangélica L’Abri, na Suíça, a qual era dirigida por Francis Schaeffer. Mais tarde, faria o Mestrado em Teologia no Dallas Theological Seminary, nos EUA, antes de ir para Porto Alegre como missionário. Voltaria, então, para Dallas, onde obteria seu título de Doutor em Teologia. De volta ao Brasil, estabeleceu-se em São Paulo, e foi coordenador da Graduação da Faculdade Teológica Batista. Atualmente, é professor do Departamento de Teologia Sistemática do Dallas Theological Seminary.
Publicado originalmente em VOX SCRIPTURAE 3:1 (março de 1993), p.73-100


NOTAS
[1]Mark S. Hoffmann, ed., The World Almanac and Book of Facls, 1992 (Nova Iorque: World AlmanaclPharos, 1991) 549-562; HerbertJ. Rissler, “Freemasonry”, New 20lh-Cenlury Encyclopedia of Religious Knowledge, ed. J. D. Douglas (2a ed., Grand Rapids: Baker, 1991) 341-342. Bobby J. Demott, Freemasonry in American Culture and Society (Lanham, MD: Univ. Press of America, 1986) 289-291, alista 25 grupos afiliados direta ou indiretamente à maçonaria nos Estados Unidos, com um total de 5.444.906 membros. Os dados indicam que a membresia maçônica está decrescendo rapidamente, tanto no nível norte-americano (30% desde 1959) quanto no âmbito internacional (mas não no Brasil) - veja Robert A. Morey, The Origins and Teaching of Freemasomy (Southbridge, MA: Crowne, 1990) 122-123.
[2]Conquanto exista uma pluralidade de origens da maçonaria, especialmente através das guildas (confrarias) dos pedreiros, a partir da Idade Média, em geral reconhece-se que a “maçonaria antiga e aceita” - a forma especulaliva (filosófica) ou simbólica - começou num pub em Londres, no ano de 1717. Quanto à maçonaria logo se tornar o centro da intelectualidade liberal inglesa e européia, veja Margaret C. Jacob, "Freemasonry and the Utopian Impulse", em Millenarism and Messianism in English Literature and Thought 16501800. Clark Library Leclures 1981-1982, ed. Richard H. Popkin (Leiden: E. J. Brill, 1988) 126-148. Quanto a ser uma irmandade exclusiva, o princípio universal (Landmark) n° 18 diz: "Uma mulher, um aleijado ou um escravo não podem ingressar na Fraternidade", em Consliluição, Regulamenlo Geral, Código Penal [ele.] (Rio de Janeiro: Grande Loja do Estado do Rio de Janeiro, s. d.) 39.
[3]Alguns afirmam que as ruas principais do centro de Washington, D.C., foram planejadas com a forma dos símbolos maçônicos: o esquadro, o compasso, a régua e o pentagrama. Cf J. Edward Decker, The Question of Freemasonry (Lafayette, LA: Huntington House, 1992), c/ mapa, 31-37.
[4]Demott, Freemasonry in American Culture, 38. Os maçons dos Estados Unidos gastam cerca de 2 milhões de dólares por dia em atividades filantrópicas (1984). Os membros pagam mensalidades e tarifas pesadas por cada grau.
[5]Na bula In eminenti (1738), o Papa Clemente XII proibiu os católicos de se afiliarem à maçonaria, um antagonismo que continua até hoje, tendo sido repetido por no mínimo mais oito papas. Recentemeute, quando parecia que a Igreja estava se tornando cada vez mais aberta para a maçonaria, a posição tradicional foi reafirmada por João Paulo lI, em meio à descoberta da loja P-2 de Monte Cado, em 1981. Royal L. Peck, "The Pope Uses Masonic Scandal to Stiffen Traditional Stance", Christianity Today 25:12 (26 de junho de 1981) 38-39. Veja Boaventura Kloppenburg, A maçonaria no Brasil. Orientação para Os Católicos (Rio de Janeiro: Vozes, 1956) 266-282; Josef Stimpfle, "Freimaurerei un" katholische Kirche: nach Veroeffentlichungdes neuen Kirchenrechts", Communio 13 (março de 1984) 166-174; e J. A. F. Benimelli, G. Caprile e V. Alberton, Maçonaria e Igreja Católica, trad. por V. Alberton (2a ed., São Paulo: Paulinas, 1983).
[6]Veja J. W. Acker, Strange Altars: A Scriptural Appraisal of the Lodge (St. Loul9: Concordia, 1959) 31, 60. A Igreja Ortodoxa Russa declara: "Todo cristão católico ortodOXI') [que adere à maçonaria]... perde todos os direitos, honras e privilégios de sua membroHln e de seu ofício na igreja". (60) A Ortodoxia Grega condenou a maçonaria em 1;9:U, insistindo que é um sistema reminiscente das religiões ocultistas pagãs. PoliticamOl1ll', II sociedade foi proibida na União Soviética, Polônia, Hungria, Espanha, Portugal! ChlulI, Indonésia e na República Árabe Unida, cf Rissler, "Freemasonry", 341. Hoje, o Irtl li fi ítnico lugar no mundo onde a maçonaria é banida, segundo Venâncio Igrejas, O Gt'l\lIlh_ Comendador do Brasil, em "Maçonaria não casa com ditadura", Ano Zero 2:18 (OU!, 111' 1992) 43.
[7]Citado em The Baptist Union of Scotland, Baptists and Freemasonry (Baptist Church House, 1987; rep. Issaquah, W A: Free the Masons, s. d.) 10.
[8]Grupo de trabalho estabelecido pelo Comitê Permanente do Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, Freemasonry and Christianity: Are They Compatible? (Londres: Church House, 1987) 40.
[9]Relatório do Comitê de Fé e Ordem da Igreja Metodista Britânica, Freemasonry and Methodism, apresentado e adotado pela Assembléia Geral da Igreja Metodista Britânica no dia 3 de julho de 1985, 21-22; citado por John Ankerberg e John Weldon, The Secret Teachings of the Masonic Lodge: A Christian Perspective (Chicago: Moody, 1990) 270. Historicamente, os Wesleys se posicionaram contra a maçonaria.
[10]Baptists and Freemasonry, 7-8.
[11]A Igreja PresbiterianaOrtodoxa (1942), Comitê para Sociedades Secretas, Christ or the Lodge? A Report on Masonry (Filadélfia: Great Commission, 1942); a Igreja Batista Regular (1962), cf Robert T. Ketcham, The Christian and the Lodge (Des Plaines, IL: Batista Regular, 1962); a Igreja Luterana "Missouri Synod" (1964), cf L. James Rongstad, How to Respond to... the Lodge (St. Louis: Concordia, 1977); a Igreja Cristã Reformada (1974) e a Igreja Presbiteriana da América (PCA, 1987). A Igreja Presbiteriana da Escócia está estudando o assunto (1992). Rissler, "Freemasonry", 341, inclui, também, os quacres, os irmãos, os menonitas, os nazarenos e os adventistas como grupos que proíbem seus membros de serem maçons - apesar de haver alguns casos no Brasil.
[12]Robert C. Broderick, ed., The Catholic Encyclopedia (ed. rev., Nashville: Thomas Nelson, 1987), "Masonry, also Freemasonry", 375.
[13]"Manoel Gomes (33°), A Maçonaria l1a História do Brasil (2a ed., Rio de Janeiro: Aurora, c. 1976) 14. Também Ricardo M. Gonçalves, "A influência da maçonaria nns independências latino-americanas", em A Revolução Francesa e seu impacto na América Latina, org. Osvaldo Coggiola (São Paulo: Nova Stella/EDUSP, 1990) 195-209.
[14]A franco-maçonaria (da França), marcada por hostilidades contra a igreja o li aristocracia, e significativamente mais raciona lista e/ou oculto-pagã em sua interpretação dll maçonaria, passou para a Itália, a Espanha e a América Latina. A maçonaria inglesa continuava mais associada às igrejas protestantes e à nobreza, disseminando-se mais para a Escandinávia e para a América do Norte. Posteriormente, houve sínteses de idéias conjuntando o conservadorismo político inglês e o misticismo francês.
[15]Quatro meses depois, ao declarar a independência, D. Pedro I, suspeitando haver um perigo político com a Maçonaria Vermelha, ordenou que as lojas fossem fechadas. Há várias histórias brasileiras maçônicas, tanto a favor quanto contra essa sociedade. Além do Gomes, Maçonaria na História do Brasil, veja Nicola Aslan, História Geral da Maçonaria (Rio de Janeiro: Aurora, 1979); A. Tenório Cava1cante,A Maçonaria e a Grandeza do Brasil (Rio de Janeiro: Aurora, 1955); José Castellani,Os maçons que fizeram a história do Brasil (2ª ed, São Paulo: Gazeta Maçônica, 1991); João Cesa, Maçonaria e Politica (Fortaleza,Jurídica, 1956); e Kloppenburg, Maçonaria no Brasil, 13-30.
[16]Citando o resumo de Univaldo Corrêa, "Apresentação", em Gomes, Maçonaria na História do Brasil, 7.
[17]Ibid., 143-148, onde são alistados mais de 40 freis, padres, bispos e cônegos que eram maçons; Samuel Nogueira Filho, Maçonaria, religião e simbolismo (São Paulo: Traço, 1984) 84-101, registra centenas de católicos (principalmente brasileiros) como maçons, incluindo os papas Benedito XIV (1742-1758) e Pio IX (que se tornou inimigo da Ordem), cardeais, arcebispos etc. - tudo isso com uma documentação escassa e, em parte, refutado por Kloppenburg, Maçonaria 110 Brasil, 264-266.
[l8]Veja David Gueiros Vieira, O Protestantismo, a Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil (Brasília: Ed. da Univ. de Brasília, 1980), esp. 374-377 (com uma bibliografia extensiva); Lothar C. Hoch, ed., "Protestantismo, Liberalismo e Maçonaria no Brasil no Século XIX", Estudos Teológicos 27:3 (1987) 195-279; Jean Pierre Bastian, ed., "Liberalismo, masoneria y protestantismo en America Latina en el siglo XIX", Cristianismo y Sociedad 25:2 (1987) 9-108; e Jorge Buarque Lyra (30°), A Maçonaria e o Cristianismo (3" ed., Rio de Janeiro: Tupi, 1953) 290-292.
[19] A obra principal acerca dessa questão é o livro do Pr. Jorge Buarque Lyra, Maçonaria e o Cristianismo - veja as cartas introdutórias do Pr. Gnldino Moreirn, "Uma Obra Primorosa", 9-34, e do Pr. Arnald() Cristinnni. "Terceiro Prefácio",53-64. Veja também Zilmar de Paula Barros, A Maçonaria e o Livro Sagrado (2ª ed., Rio de Janeiro, Tupi, 1953) 290-292
[20]José Moita dos Reis Pessoa. As memórias [ou As Reminiscências] do Pr. Motta: Autobiografia (São Paulo: do autor, 1991) 36-39.
[21]Paulo Florêncio e Silva, em seu livro Maçonaria: Contra ou a favor? A Bíblia responde (Vitória, ES: do autor, c. 1987), documenta experiências e opiniões de líderes batistas, presbiterianos e anglicanos (com muitas abstenções) sobre a maçonaria, concluindo que "no pensamento batista [CBB] há muita confusão, mas ainda predomina em maioriu incomparável o número daqueles que julgam a maçonaria como religião e por isso mesmo como anátema" (48); entre os Presbiterianos do Brasil e os anglicanos, "parece não existir qualquer preocupação quanto ao ser ou não ser maçom" (50). Obras evangélicas brasileiras contra a maçonaria incluem: Eduardo Carlos Pereira, A Maçonaria e a Igreja Cristã (4" ed., São Paulo: Pendão Real, s. d.); Haroldo Reimer, Maçonaria. A resposta de uma carta(Ourinhos. SP: Ed. Cristãs, s. d.); Natanael Rinaldi, "Quem disse que um cristão pode ser' maçom?" (São Paulo: do autor e do Instituto Cristão de Pesquisas, s. d.).
[22]Estatísticas sobre o número total de maçons no Brasil são difíceis. Kloppenburg, Maçonaria no Brasil, 5, estimou em 1956 cerca de 150.000 membros, um número reafirmado por Alberton, em 1983 - Benimelli, Maçonaria e Igreja Católica, 19.
[23]Marcus Achiles, o'A maçonaria no poder", Manchete 2:124 (19 de dez. de 1992) 95; e "Presidente maçom", Ano Zero 2:18 (ou!. de 1992) 51.
[24]"Maçonaria não casa com ditadura",Ano Zero 2:18 (ou!. de 1992) 45.
[25]Alphonse Cerza, Let There Be Light: A Study in Anti-Masomy (Silver Springs, MD: Masonic Servic Assoc., 1983) 1.
[26] 0 termo landmark (marco) é usado pela literatura maçônica em português.
[27]K1oppenburg, Maçonaria no Brasil, 7, usa a Constituição do Grande Oriente do Brasil como uma de suas fontes principais. Existem muitas obras detalhando os rituais e as explicações normativas, tais como William Morgan, lllustrations of Masonry: By One of the Fraternity Who Has Devoted Thirty Years to the Subject (1827; nova ed., Chicago: Charles T, Power, 1886); esse autor foi seqüestrado e morto, provavelmente por suas revelações. Vojll também Jonathan Blanchard, Scottish Rite Masonry lllustrated: The Complete Ritual of the Ancient and Accepted Scottish Rite, Profusely lllustrated by a SOl'ereign Grand CommmUhl1' (Chicago: Ezra A. Cook, 1915/1922), 2 vols.
[28]Ankerberg, Secret Teachings, 16-17. Calculando mais de 100.000 obras de literatura maçônica, ele documenta sua pesquisa com base em todas as lojas estaduais dos Hslmlo. Unidos (que consistem em 213 da população maçônica mundial). Henry Wilson Coil, (Coil’s Masonic Encyclopedia (Richmond, V A: Macoy, 1961); Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Freemasonry (Richmond: Macoy, 1951); AJbert Gallatin Mackey, Mackey' Revised Encyclopedia of Freemasonry, ed. Robert I. Cleggs, 3 vols. (Ia ed., 1878; 2a ed., 1898; ed. rcv. Richmond: Macoy, 1966). Outros livros de importância fundamental são: Malcolm C. Duncan, Duncans Masonic Ritual and Monitor (Chicago: Charles T. Power, 1974); AJbert Pike, MoraIs and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry (1" ed., 1871; Charleston, NC: Supreme Council of the Thirty-Third Degree, 1950); Robert Macoy, A Dictionmy of Freemasomy: A Compendium of Masonic History, Symbolism, Rituals, Literature, and Myth (nova ed., Nova lorque: Bell, 1989); e Alec Mellor, Dicionnaire de Ia Franc-Maçonnerie et des Francs-Maçons (Paris: Pierre Belfond, 1971).
[29] Além dos livros já mencionados, veja as diversas obras de Jorge Adoum detalhando os graus da Ordem Maçônica Escocesa, publicadas pela Editora Pensamento (São Paulo); Nicola Aslan (33°), Factos da Maçonaria Brasileira (Rio de Janeiro: Aurora, s. d.); Aslan, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, 4 vols. (São Cristóvão, RJ: Aurora, 1974,1976); Joaquim Gervásio de Figueiredo (33°), Dicionário de Maçonaria (São Paulo: Pensamento, 1989), da Biblioteca Maçônica; Rizzardo da Camino (33°), Dicionário Maçônico (Rio de Janeiro: Aurora, 1990); Rizzardo, introdução à Maçonaria, 3 vols. (Rio de Janeiro: Aurora, s. d.); etc. O fato de que, na década de 50, Kloppenburg, em A Maçonaria no Brasil, 7-9, conseguiu mais de 30 dentre as principais obras da maçonaria demonstra que os ensinos dessa sociedade encontram-se acessíveis para quem quiser. O presente autor reuniu cerca de 150 obras sobre a maçonaria.
[30] Veja Jack Harris, ex-Venerável Mestre, Freemasomy: The invisible Cult in Our Midst (Towson, MD: do autor, 1983); William Schnoebelen (ex-32°), Masonry: Beyond the Light (Chino, CA: Chick, 1991); James D. Shaw, (ex-33°), e Tom C. McKenney, The Deadly Deceplion (Lafayette, LA: Huntington House, 1988); "Freemasonry: From Darkness to Light?" documentário em video (Estados Unidos: Jeremiah Films, 1991).
[31]"Maçonaria", em Ano Zero, 43. Ele continua: "... a Maçonaria nunca foi contra a Igreja, tendo em seu seio muitos irmãos católicos, inclusive eu".
[32]Aslan, Grande Dicionário, "Religião da Maçonaria", 4:951.
[33]William Alston, "Religion", Encyclopedia of Philosophy, ed. Paul Edwards (Nova Iorque: Collier/Macmillan, 1972), em Ankerberg, Secret Teachings, 37-38, 286.
[34]Ankerberg, Secret Teachings, 37-38.
[35]Mackey's Revised Encyclopedia, 2:847. Em "Creed, A Mason's, Mackey (2" ed.), 192, destaca três artigos do credo maçonico: a fé em Deus Criador; a vida eterna, da qual esta existência é somente preparatória; e a ressurreição.
[36]Rizzardo da Camino, Dicionário Maçônico, "Religião",514.
[37]Gervásio de Figueiredo, Dicionário, "Maçonaria",231, citando W. L. Wilmshurst, The Meaning of Masonry (Nova Iorque: BelI, 1980) 21.
[38]Nogueira Filho, Maçonaria, Religião e Simbolismo, 27: "Tanto a Maçonaria como a Religião são constituídas de duas partes, uma esotérica e outra exotérica, ou melhor, uma Iniciática, ou secreta, e outra profana, pública ou externa. Não se admirem, mas, Ineialmente, Maçonaria e Religião eram uma e a mesma coisa".
[39]Macoy, Dictionary of Freemasonry, 324: "As idéias de Deus, retribuição, uma vida futura - estes grandes fatos da religião - não são propriedade de qualquer seita ou partido: constituem o fundamento de todos os credos. A religião, já dissemos, é eterno e imutável". Veja Kloppenburg, Maçonaria no Brasil, 153-197, cap. 7, "Os Princípios do Liberalismo Religioso na Maçonaria Brasileira".
[40]Winston W. Watts (32°), "Seek, and ye shall find", Neli' Age Magazine 85:9 (set. De 1977) 53-54. Todas as seitas e religiões sub-cristãs fazem o mesmo.
[41]Nogueira Filho, Maçonaria, Religião e Simbolismo, 32; Mackey (2a ed.) 114.
[42]Coil's Masonic Encyclopedia, 520. Veja Mackey (2a ed.) 114; e R. Swinburne Clymer, Antiga Maçonaria Mistica Oriental. Ensinos, Regras, Leis e Atuais Costumes da Ordem (São Paulo: Pensamento, 1988) 98-99.
[43]Paula Barros, Livro Sagrado, 109. Ênfase do autor. O livro mais famoso de Barros, membro emérito do Supremo Conselho, é Painéis (Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista [JUERP], 1954).
[44]Martin L. Wagner, Freemasonry: An interpretation (s. ed, s. d.), citado em Ankerberg, Secret Teachings, 97, 294.
[45] Nicola Aslan, Comentários ao Ritual do Aprendiz-Maçam, Vade-Mécwn Iniciático (Rio de Janeiro: Ed. Maçônica, 1990) 27; e Paula Barros, Livro Sagrado, 92-94.
[46] Alguns cabalistas rejeitam as formas maçônicas e "cristianizadas" da arte mística. Cf Scholem, Kabbalah (2a ed., Nova Iorque: MeridianlPenguin, 1978), 197-200; e Erich Bischoff, A Cabala: Uma Introdução ao Misticismo Judaico e Sua Doutrina Secreta, trad. por Alvaro Cabral (Rio de Janeiro: Campos, 1992).
[47] Constituição, Regulamento Geral, 39.
[48]Desagulliers, admite-se hoje, provavelmente foi o idealizador por trás do autor Anderson. Desagulliers não era ativo como pastor. Depois de uma vida de erudição e popularidade, ele morreu insano. Há histórias contraditórias quanto a Anderson ter se tornado, ou não, deísta e unitariano.
[49] Veja E. A. Cail, The Relalionship of lhe Liberal Churches and the Fraternal Orders (Filadélfia: David McKay. 1925).
[50] Gervásio de Figueiredo, Dicionário, "Religião", 388; veja "Deus", 125-126, onde ele concorda com Pitágoras e Cícero que "Deus é a alma de todos os corpos e o espírito do Universo”. Também Aslan, Grande Dicionário, 1:322.
[51]Mackey (2ª ed.), 315.
[52] Aslan, Ritual do Aprendiz-Maçom, 219.
[53]"Coils Masonic Encyclopedia, 516.
[54]"Schnoebelen, Beyond lhe Lighl, 53-59. Veja Stephen Knight, The Brolherhood: The Explosive Exposé of the Secret World of the Freemasons (Londres: GrenadalPanther, 1983), 243; Acker, Slrange Altars, 32; Ankerberg, Secrel Teachings, 119-125; e Êx 20.7; Gn 41.45, 50, 1Rs 16.32ss.
[55]Gervásio de Figueiredo, em Dicionário, "Abbadon", 14, e "Appolyon", 46, mostra-se claro (1) em sua dt:finição dos nomes e (2) ao afirmar que estas palavras são sagradas nos ritos 17º o 46° (Rito de Mênfis) maçônicos. Schnoebelen, Beyond lhe Light, 59-62.
[56]Jorge Adoum, Do Mestre Secreto [4° grau] e Seus Mistérios (São Paulo: Pensamento, 1973) 44-51, 68-79. Seu tratado sobre a Trindade como sendo um símbolo da energia psicossomática trina conclui assim: "A palavra sagrada AUM [Om] dos orientais tem as iniciais sagradas da Trindade. A palavra AMÉM dos ocidentais encerra a mesma Trindade". Uma perspectiva evidentemente gnóstica da Trindade é encontrada no ritual oficial do 32° Grau "The Royal Secrct", Readings XXXII, (Rito Escocês, s. d.), 117-138.
[57]Pike, Morais and Dogma, 206-209, 224-229, 552s., 574: "Eis A VERDADE.IRA TRINDADE MAÇÔNICA; a ALMA UNIVERSAL; o PENSAMENTO na Alma, a PALAVRA, ou Pensamento expresso; os TRÊS EM UM, de um Ecossais Trinitário" (575; ênfases do autor).
[58]Morey, Origins and Teaching, 114-116.
[59] Mackey (2a ed.), 186-187, 271; Alva J. McClain, Freemasonry and Christianity (Winonn Lake, IN: BMH Books, 1969) 22-23.
[60] Mackey (2a ed.) 143. Itálico meu. No Brasil, esses calendários, inclusive os dos ritos nacionais, são explicados em Aslan, Grande Dicionário, 1:195-197.
[61] Rizzardo da Camino, Dicionário Maçônico, "Cristo", 179; cf Adoum, Do Mestre Segredo, 44-51.
[62] Pike, Morais and Dogma, 525. Não surpreende que Pike interprete a morte de Jesus como um martírio para o evangelho de amor (310), e que, das 9 vezes em que menciona Jesus (Zoroastro, 26 vezes), quase todas são interpretações gnósticas e pagãs, sem nenhuma verdade bíblica sobre o Redentor. Veja também Clymer, Antiga Maçonaria Mística Oriental, 94-95; e Henry Clausen (33°), Practice and Procedure for the Scottish Rite (Washington D.C. : The Supreme Council, 33° Grau, 1981) 75-77; etc.
[63] Shaw, Deadly Deception, 105-108; cf. Paula Barros, Livro Sagrado, 86.
[64] Shaw, Deadly Deception, 106-108.
[65] Os rituais da Loja Azul são divulgados e explicados em várias obras: Aslan, Ritual do Aprendiz-Maçom, 1-348, cf. 66-69; Harris, Freemasonry, 31-55. Enquanto as palavras do primeiro grau variam um pouco, a venda sobre os olhos do candidato e a interpretação do rito são essencialmente iguais.
[66] Aslan, Ritual do Aprendiz-Maçom, 164. Rizzardo da Camino, Dicionário Maçônico, "Pedra Cúbica Piramidal", 470, diz: "O Cubo desdobrando-se espontaneamente, simbolizando a crucifixão de todos os seus aspectos negativos".
[67] Paula Barros, Livro Sagrado, 106.
[68] Veja Ankcrberg, Secret Teachings, 139-154.
[69] J. S. M. Ward, Freemasonry: Its Aims and Ideais, 187, citado em Christ or the Lodge,18.
[70] Aslan, Grande Dicionário, "Regeneração", 4:944, citando diretamente, aprovação, Mackey (2" ed.), "Regeneration", 637.
[71] Rizzardo da Camino, Dicionário Maçônico, "Regeneração", 512.
[72] Pike, MoraIs and Dogma, 853-854 (itálicos meus).
[73] Gervásio de Figueiredo, Dicionário, "Deus", 124.
[74] E. A. Coil, Relationship of the Liberal Churches and the Fraternal Orders, 10-11. Como pastor unitariano, ele defende que o antigo liberalismo (séc. XIX) e a maçonaria propõem o mesmo. Veja Baptists and Freemasonry, 6; Ankerberg, Secret Teachings, 133-152; Christ or the Lodge?, 16-20; Ketcham, Chrislian and lhe Lodge, 5-12; McClain, Freemasonry and Christianity, 27-29; Rongstad, How to Respond, 16-19; e Schnoebelen, Beyond lhe Light, 75-88.
[75] Constituição, Regulamento Geral, 39.
[76] Veja John H. Hessey, Bruce H. McDonald e William F. Peltz, Masonic Burial Service. Masonic Memorial Service (Baltimore, MD: Harry S. Scott, 1960); Pike, MoraIs and Dogma, 855; Harris, Freemasonry, 134-136; Rongstad, Christ or The Lodge, 17-19. Usurpando textos bíblicos, freqüentemente cita-se Apocalipse 3.5: "O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas..." em Paula Barros, Livro Sagrado, 67.
[77] Shaw, Deadly Deceplion, 114, afirma que as cerimônicas fúnebres são essencialmente iguais às da ciência cristã.
[78] Veja Ankerberg, Secrel Teachings, 153-160.
[79] Mackey (2ª ed.), "Proselytism", 613, cf 162-163; e Rizzardo da Camino, Dicionário Maçônico, "Proselitismo", 490-491: "Somente os predestinados" entram e permanecem na Ordem.
[80] Florêncio e Silva, Maçonaria: Contra ou a favor?, 48.
[81] Veja as notas de rodapé 19 e 20; Mackey (2 "ed.), 162.163; e Gervásio de Figueiredo Dicionário, onde, entre as 20 formas de maçonaria, ele define a maçonaria evangélica assim: É a que tem por escopo propagar o Evangelho cristão por meio de simbologia maçônica ou inversamente, as verdades maçônicas revestidas de alegorias evangélicas (233).
[82] Ankerberg, Secret Teachings, 215.
[83] Knight, The Brotherhood, 243, a melhor pesquisa secular sobre a maçonaria,
[84] Ritual e Instruções do Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito (São Paulo: Grande Oriente de São Paulo, abril de 1984) 99.

[85] Shaw, Deadly Deception, 104.
[86] William J. Whalen, Handbook of Secret Organizations (Milwaukee: Bruce, 1966) 2. Até cerca de 1900, a igreja mórmon utilizou vários ritos da maçonaria, assim como ainda hoje o fazem determinadas seitas satânicas. Veja o documentá rio em vídeo intitulado “Freemasonry: From Oarkness to Light?", op. cit.; e David John Buerger, "The Development of the Mormon Temple Endowment Ceremony", Dialogue: A Journal of Mormon Thought 20 (dez. dc 1987) 33-76, que documenta a participação de Joseph e Hyrum Smith na maçonaria. Young declarou: "Nós temos a verdadeira maçonaria" (46).
[87] Wagner, Freemasonry: An Interpretation, 142-143, citado em Ankerberg, Secret Teaching,258-259. Veja também Manly P. Hall (33°), The Lost Keys of Freemasonry or' The Secret of Hiram Abiff (Richmond, VA: Macoy, 1976) 69; e Pike, Morals and Dogma, 819: “…[o iniciado] é deliberadamente enganado por interpretaçôes falsas. A intenção não e que ele as entenda, mas sim que pense que as compreende".
[88]Sobre a perversão da democracia e da justiça pela maçonaria, veja Kloppenburg, A Maçonaria no Brasil, 242-251; Nesta H. Webster, Secret Societies and Subversive Movements, (ed. orig. 1924; nova ed. s. loc., Christian Book Club of America, s. d.): e Paul Goodman, Towards a Christian Republic: Antimasonry and the Great Transition in New Egland, 1826-1836 (Oxford: Univ. of Oxford, 1988).
[89] Morey, Origens and Teaching, 74. Morey ignora em grande parte a maçonaria francês e o cabalismo, que certamente influenciaram o pensamento desde o começo da maçonaria especulativa.
[90] lbid., 75-77; "... mais de 3.000 diferentes graus maçônicos e 800 símbolos maçônicos foram introduzidos em algum momento"(76).
[91] Pike, Morals and Dogma, 102, 321, 324, 859; Hall, Lost Keys of Masonry, 48.
[92] Pike, Morals and Dogma, 626, 745, 859.
[93] H. V. B. Voorhis, Facts for Freemasons: A Storehouse of Masonic Knowledge in Question and Answer Form (ed. rev., Richmond: Macoy, 1971) 6,227, citado em Ankerberg, Secret Teachings, 227.
[94] Henry C. Clausen, Clausen's Commentaries on Morals and Dogma (Charleston, SC: Conselho Supremo, 33° Grau, Jurisdição Meridional, 1976) 157-158, 172ss.
[95] Além dos dicionários, veja: H. P. Blavatsky, As Origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria, trad. por Dulce do Amaral (São Paulo: Pensamento, 1991); Mario Leal Bacelar (33°), Espiritualização da Maçonaria (2a ed., Rio de Janeiro: Mandarino, s. d.), na Coleção Maçonaria Universal; R. A. Gilbert, ed., Maçonaria e Magia, trad. por Joaquim Palácios (São Paulo: Pensamento, 1990); Isabel Cooper-Oakley, Maçonaria e Misticismo Medieval, trad. por Y. S. Toledo (São Paulo: Pensamento, 1988); C. W. Leadbeater A vida oculta na maçonaria, trad. por J. Gervásio de Figueiredo (São Paulo: Pensamento, 1988), Clymer, Antiga Maçonaria mística oriental; Nogueira Filho, Maçonaria, Religião e Simbolismo. Paula Barros, Maçonaria e o Livro Sagrado; etc.
[96]Decker, Question of Freemasonry, 13-37, apesar de ser sensacionalista em sua apresentação, detalha os significados pagãos de diversos símbolos maçônicos.
[97] Baptists and Freemasonry, 7; Ankerberg, Secret Teachings, 224-230.
[98] Ankerberg, Secrel Teachings, 224-230.
[99] Knight, The Brotherhood, 244.
[100] Ibid., 242.
[101] Rosemary EIIen Guiley, Harpers Encyclopedia of Mystical and Paranormal Experience (São Francisco: Harper/CoIlins, 1991), “Freemasonry", 219.
[102] Uma das ironias mais lastimáveis é que os mesmos líderes denominacionais que recusam fraternidade e cooperação com outros irmãos evangélicos em Cristo vão à loja maçônica e confraternizam com não-cristãos de todos os tipos. Kloppenburg,A Maçonaria no Brasil, 259s., tem toda razão ao se arrepiar com as histórias sobre os elos entre evangélicos e a loja contra o inimigo católico.
[103] McClain, Freemasonry and Christianity, 32.